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  1. Fato. O corpo fala. E, cá pra nós, se dele há voz, verbo, emoções, texto e até mesmo silêncio, então, é coisa nossa! 

    Arregacem as mangas, IL!  Deixem que o corpo fale. E que o dito ou inaudito soe bem aos ouvidos. 

    Bora escrever!

  2. Reprimindo Medos

    02/09/13

    Dominar ou me deixar dominar?
    Por puro cansaço, às vezes, me deixo levar.
    Não sinto vontade de dominar,
    Não sinto vontade de lutar.
    Mas quando se trata de proteger:
    Proteção para quem amo –
    Esqueço o cansaço,
    Nem lembro que a vontade de lutar não está lá.
    E contenho completamente...

    Quem sempre tenta me dominar.
    E feliz sigo meu caminho,
    Esperando o próximo temor chegar.

  3. Foi

    31/08/13

    Pegou suas coisas em ritmo alucinante, contando cada segundo gasto em seus movimentos rápidos. Estava em início de fuga e tinha a certeza: estavam à sua procura.

    Suava, seus pensamentos velozmente incompreensíveis a qualquer um que pudesse se aventurar por eles, sua respiração agora inevitavelmente produzindo sons agudos em sua garganta. Não reconheceu-se ao avistar o espelho antes de ir. Mesmo assim reuniu forças, abriu a porta da frente e não sabia mais onde estava.

    Pulou o muro de concreto e aço, correu por entre as ruínas do museu carbonizado, cruzou os céus da cidade, passou dias nos ouvidos da sabedoria, festejou sob o teto quebradiço e até soluçou ao lado do pulsante partido. Não sabia do que se tratava tudo aquilo, porém.

    Tudo acontece num turbilhão de sentidos onde a fuga ainda é eixo principal. Não há lugar seguro. "És hoje a caça", repetia a si. A perseguição perseguia com afinco, e a sirene de sua violência era uma realidade hoje à noite. Escondia-se como rato na treva, sem a certeza da sobrevivência e com a agonia de não ter como dormir sabendo poder ser estripado pelas unhas da desgraça em meio a pesadelos incontroláveis.

    Chegou então a seu destino, mas não era o que esperava. Na verdade estava tudo muito confuso, pois nunca sentira-se tão em casa e sabia exatamente onde estava. Mas o antigo espelho encapado, presente em sua infância, não parecia ser seu objetivo concreto.

    Olhou-se. Acabou a perseguição.

    "E conta-se que o medo paralisante é o que de fato liberta a alma do mesmo".

  4. Ouviram os rumores? Pois é. Agosto está de dar medo aqui na IL. Tremei, falta de inspiração! Pois, seguiremos criando textos e vencendo o medo. 


  5. Ele escapou da obrigação de ir à missa de domingo e escapou do dever de acreditar no que não se pode ver. No entanto, depois não havia mais Deus para lhe socorrer nos momentos de aflição.

    Em seguida, escapou do curso chato na universidade bambambam, cheio de números. Mas perdeu chances de um dinheiro melhor para o futuro. 

    Escapou da garota com quem havia se mudado. Mas voltou para a casa do pai e da mãe. E perdeu os filhotes, e a sensação de ser papai.

    Escapou de seu país. Mas voltou para acabar a faculdade. Escapou de novo. E de novo voltou, porque o bilhete que encontrou era de ida e volta obrigatória. 

    Escapou da obrigação de ir todo dia trabalhar naquela empresa, a mais importante da sua carreira. Mas perdeu as viagens turístico-profissionais. E seu dinheiro aos poucos acabou. Assim como o prestígio de ser alguém.

    Escapou amedrontado da disciplina e ousadia necessárias à incerta vida artística. E perdeu a razão de ser da fuga profissional. 

    Escapou da namorada. E entrou em desespero. 

    Com tantas fugas, sempre tão tardias, o tempo foi lhe escapando. Assim como a confiança própria da juventude. E ficou sem saber quem era e que caminho percorrer.

    Restou-lhe refugiar-se no Reino do Sono, entre as cidades do Inconsciente e dos Sonhos. Ainda que todo dia desmoronem, desaguando no incômodo rio da realidade. Até que parta para a fuga definitiva, quando nenhuma outra fuga será mais necessária.



  6. Estamos em fuga. Mas, Calma! Não é o que você está pensando. Ainda estamos e continuaremos aqui por um bom tempo. Só quis dizer que, em alusão ao tema da vez, estamos em fuga do bloqueio criativo, da falta de tempo, e de quaisquer outros interruptores da escrita. Saída pela esquerda! Saída pela direita!  Não importa a saída. Continuaremos correndo até a próxima parada cujo terminal é sempre aqui, com ideias e textos tinindo de novos. Até lá!

  7. Névoas ferventes, brilhantes,
    Negras e brancas, tão fortes
    São fantásticas correntes
    Pulam, pululam, assim:
    Criando suaves furacões
    E violentas borboletas...
    Pressão! Em meu grandioso reino.

    É difícil lembrar do antes.
    Mas umas coisas com portes...
    São tão pesadas nas mentes,
    Que até os corpos flutuam sim.
    Tudo por lindos tufões
    Vindos, ah, “sem suspeitas”
    De um grácil ente ameno.

    (escrito por volta do ano 2000, 
    pontuação alterada em 1º de julho de 2013)