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  1. Credito: Rê Lima


    Tema: Imagem e Texto
    Período de votação: 18/08 a 20/08

    Numa cidade qualquer desse meu Brasil imenso
    Ouvia-se ao longe a algazarra
    Um grupo de jovens atraía olhares curiosos
    O que haveria de ser aquela manifestação?
    Com entusiasmo e alegria celebravam a liberdade de expressão
    Em suas mais variadas cores e matizes
    Saias de chita coloridas ganhavam vida
    No singelo bailar das moças
    Rapazes vestidos de branco acompanhavam com
    Batuques, batucadas,
    Sons, ritmo, alegria
    No centro, em destaque, a figura fantasiada simbolizava a diversidade e riqueza desta nação
    Misto de Carmem Miranda com alguma porta-bandeira
    Dos desfiles de escola de samba
    Curiosos transeuntes paravam para observar a cena singular
    Com movimentos não ensaiados, o grupo
    Ia contagiando a todos com sua despretensiosa manifestação artística
    Aquele início de tarde, jamais irei esquecer!
    Para muitos, algo corriqueiro
    Espetáculo despretensioso que pude presenciar
    Em frente à Universidade Federal do Paraná
    Praça Santos Andrade, em Curitiba.
    Naquele dia, a lente perfeitamente captou e a memória não apagou o belo acontecimento
    Poderia ser um dia comum, banal
    Mas não foi.
    Definitivamente, os dias não são iguais
    Basta ter olhos abertos para enxergar
    E coração para sentir
    Uma câmera nas mãos
    E alegria de viver um dia de cada vez.

    Rê Lima
    Sinto a necessidade de conhecer melhor esse imenso país com minha câmera,
    olhos e coração abertos, sair fora do meu lugar comum.

  2. Tema: Imagem e Texto
    Período de votação: 18/08 a 20/08

    (Crédito da imagem: Ricardo Costa)
    Por Lyani

    Será que foi o som da vida?

    Não saberia dizer, mas olhou pra fora, as mãos no vidro gelado da janela, os olhos atentos a qualquer simples movimento mágico que fazia tudo simplesmente continuar. Porque não importa o que aconteça, tudo continua, não é? Você pode estar sangrando, entregue ao seu último suspiro, mas lá fora o mundo continua. As pessoas dirigem seus carros, andam nas calçadas, trabalham, dormem, fazem amor. Foi exatamente assim que aconteceu.

    Som de pneus cantando e uma voz assustada que dizia que o moço tinha sido atropelado. Ali do lado, bem embaixo dos olhos deles, na mesma avenida em que seguiam suas vidas. E foi mesmo: estava lá estirado no asfalto, com as pessoas aglomerando-se em volta. Mas foi rápido demais, logo já não podia mais divisar o corpo e tudo o que via através da janela era a vida em movimento, porque apesar do fato de o moço ter sido atropelado, a vida continua. E o ônibus continuou o seu caminho, levando-os pra fora da cidade, para o trabalho de todos os dias, para o cotidiano. A mesma estrada, o mesmo cenário, o mesmo tempo cinza de inverno.

    Ficou se perguntando se talvez aquelas gotas finas de chuva que começaram a cair era o choro triste da vida por toda essa indiferença. Quis gritar que o moço tinha sido atropelado, mas passaria-se por louca. Todo mundo tinha visto e ouvido, com exceção de alguns que estavam dormindo envoltos apenas em seus próprios sonhos. Algo em seu estômago retorceu, doeu, incomodou. Como poderiam continuar a vida assim? O moço tinha sido atropelado. Estava lá, estirado, ainda vivo no chão, com dores, ou talvez até já morto.

    Poderia ser filho de alguém que ao saber da notícia enterraria o rosto nas mãos com lágrimas inundando os olhos, ou ficaria em choque olhando o nada por um longo tempo e só choraria lágrimas silenciosas, quando visse o caixão baixando na terra. Poderia ser irmão de alguém que viesse correndo até seu corpo e gritasse aos quatro cantos que NÃO, não poderia ser verdade. Poderia ser pai de uma criança que viveria todos os demais dias de sua vida sem a figura de um pai, uma vida inteira modificada por um segundo de imprudência. Talvez tivesse um amor impossível, que no exato momento em que o acidente ocorrera, sentira uma dor esquisita no coração. Uma dor que lhe trouxera lágrimas aos olhos e alguém ao seu lado poderia questionar se estava tudo bem ao que ela responderia que só estava com um pressentimento ruim. Ou talvez tivesse uma esposa que no momento estava em casa dando café da manhã aos filhos, e quando descobrisse perderia o chão, o equilíbrio, desmaiaria.

    Alguém em algum momento teria parado pra se perguntar o que ele estaria fazendo justamente ali, naquela avenida e naquele horário? Estaria indo para o trabalho? Ou comprar o pão para o café da manhã? Ou talvez estivesse indo à casa do seu amor impossível dizer que iriam se casar, pois não poderiam jamais viver separados. Ou indo visitar a mãe para dizer-lhe que a amava, ou talvez estivesse apenas andando depois de uma briga para espairecer?

    Notou de repente e com espanto que nada disso importava a ninguém mais além das pessoas queridas relacionadas ao moço. Porque para todos os demais, a vida continua. ‘O moço foi atropelado’ foi só mais um acontecimento normal e comum nos dias de hoje em que estamos acostumados com a violência, acostumados com a morte, acostumados com sangue e dor e guerra. ‘O moço foi atropelado’ poderia ser também ‘Choveu ontem à noite’, ‘A rua foi interditada’, ‘Dizem que vai fazer sol no final de semana’. As reações são as mesmas. Apáticas. É o nosso cotidiano.

  3. por Medéia

    Crédito da Foto: Christian H. Mendes
    As minhas rugas falam por mim.
    Não sou menina e já sou mais que mulher.
    Passei alegrias e tristezas em minha vida.
    Ganhei quatro filhos, perdi dois.
    Tenho meus netos e bisnetos.

    Minha saúde não é mais como antigamente.
    Minha memória não é mais como antigamente.
    Meus olhos não vêem mais como viam.
    Meu corpo é rígido e difícil de locomover.
    E, em dias frios como hoje, fica ainda pior me mexer.

    Mesmo assim me levanto pela manhã, com ajuda da minha filha.
    Muitas camadas de roupa eu visto, como uma cebola.
    Um cachecol no pescoço e encolho os meus ombros ainda mais.
    Minha cadeira de balanço, colocada ao lado do fogão a lenha, me recebe.

    Chaleira chiando para o chimarrão quente.
    Leio o jornal: obituários e coluna policial.
    Assim descubro quem já se foi dos meus conhecidos.
    Mais uma acha de lenha para manter o fogo aceso.

    O Zico vem abanando seu rabo, mostrando alegria.
    Brinco com ele que se deita aos meus pés buscando o calor.
    Entre um serviço caseiro e outro, minha filha toma uma cuia.
    E conversa comigo sobre coisas diversas.

    O almoço se aproxima e logo mais minha neta chegará da escola.
    Tomo mais um mate e escuto a voz da minha filha chamando.
    Deixo vocês agora para ir lá fora caminhar no sol.
    Recomendações médicas.

    Depois do almoço, um banho e então dormir.
    Um café com pão ao acordar à tardinha.
    Ver televisão sentada ainda ao lado do calor do fogão.
    Mais lenha para espantar o frio da noite que chega.

    Meu corpo cansado de uma vida inteira vivida, pede mais cama.
    Boa noite a todos pois amanhã é outro dia.
    E esta é minha vida e meu cotidiano.



    Tema: Imagem e Texto


    Período de votação: 18/08 a 20/08





  4. Por: Cris Costa


    Tema: Imagem e Texto
    Período de votação: 18/08 a 20/8


    Dizem que sou hiperativa, magrela, mandona e que faço muito barulho para o meu tamanho. Quando fico emocionada não me controlo e faço pipi, subentendam muito pipi. Como sou muito pequenina, adoro ficar no colo das pessoas para poder olhar nos olhos delas. Adoro quando acontece reunião de família, muita alegria, é sempre uma festa.

    Minha família é muito legal. Papai adora passear e me convida para acompanhá-lo em tudo. Mamãe é muito carinhosa e atenciosa, fico feliz toda vez que sou elogiada por ela. A Cris é muito doida e fala pelos cotovelos. Muitos dizem que sou idêntica a ela. O Tato é brincalhão, mas quando tem que ficar sério, ele literalmente leva isso a sério. Belinha é legal, um brinquedinho interessante e divertido. Dizem que ela é uma gata, mas age como eu em tudo, não vejo diferença alguma entre nós. Apesar de ser maior que eu, mordo as orelhas e o rabo dela, derrubo do sofá, escondo os brinquedinhos dela, só não entendo como ela consegue dormir tanto. Brincamos de pega-pega, bagunçamos os tapetes e derrubamos tudo a nossa frente. Quando a família pergunta quem fez a bagunça, me encolho toda e olho para a Belinha. Eles dizem: “Ah!! Belinha, que bagunça. Feio, muito feio!”. Consigo enganá-los com meu charme toda vez.

    Acordo junto com o Papai e o ajudo a fazer o café da manhã. Depois vou acordar a Mamãe e a Cris. Eles tomam café juntos diariamente. Normalmente a Cris saí para trabalhar logo depois. Durante o dia ocupo meu tempo ajudando Papai e Mamãe nos afazeres domésticos. Às vezes eles falam: “Nina, vai dormir na sua caminha, sossega pequena!”. Mas é difícil ficar quieta e pior ainda é ficar sozinha.

    Quando escurece, fico na janela esperando a Cris chegar. Para ser sincera para vocês não sei explicar bem o que ela faz. Ela usa salto alto e fala muito ao celular. Leva consigo sempre uma pasta cheia de papéis. Quando eu era menor, ela me explicou várias vezes que não poderia chegar perto daquela pasta, nem mexer nos livros dela, coisas de direito. Em alguns dias ela chega, brinca comigo só um pouquinho, conversa com a Mamãe e sai novamente. E só volta bem mais tarde. Ela trabalha, leciona e estuda uns idiomas engraçados. Quando ela está estudando, sempre conversa comigo e é lógico que finjo que entendo tudo o que ela fala.

    Bem tarde da noite, vou para meu quarto com a Cris, adoro ficar lendo, apesar de não entender bem o que aquele monte de símbolos, que ela me disse que se chamam letras, significa. Ler é um hábito extremamente divertido, pois ela passa horas e horas fazendo isso. Cochilo, acordo, cochilo e quando acordo ela continua lendo.

    Aos sábados, normalmente, a Nana volta para casa. Sempre me emociono quando ela chega. Vocês podem imaginar então o que acontece. Algumas vezes faço dela meu mordedor. Ela é esportista, tem um monte de bugigangas legais, já ganhei várias bolinhas dela. Com certeza a minha altura impossibilitou que me tornasse uma grande atleta como ela.

    Mas isto não importa muito, eles me amam do jeito que sou. Não esperam nada além do meu sorriso (é isto mesmo, eu sei sorrir) e do agitar do meu pequeno rabo, pois eles fazem de tudo para me fazer feliz.

    Minha família vive me pedindo calma, para fazer uma coisa de cada vez, mas é difícil desperdiçar o tempo. Não disse nada a eles, mas cada ano deles representa sete para mim. Apesar de eles me tratarem como um bebê, pois nasci em 2005, já sou uma jovem de 21 anos. Não tenho tempo a perder, tenho que aproveitar cada dia com eles, pois um dia não é só um dia.

    Não espero mudar o mundo. Não tenho grandes sonhos, nem ambições. Não compreendo muitas vezes o que os humanos fazem ou falam, pois eles tendem a dificultar as coisas, possuem muitas ambições e na minha humilde opinião, trabalham demais.

    Amo incondicionalmente. Sou fiel a minha família, e, creio que esta seja a minha missão nesta vida e sou honrada por ela. Afinal, sou um cão e tenho coração.

    Ah!! Se você quiser ser meu amigo, venha me visitar, com certeza também vou te amar, mas seu carinho vou cobrar.


  5. De Fernanda Soares

    Tema: Imagem e texto

    Período de votação: 18/08 a 20/08



    Era um fim de semana que prometia ser ensolarado e ele tinha decidido aproveitar o domingo. Afinal, não era todo dia que acordava tão bem disposto e não queria perder essa oportunidade.


    Toledo era assim por dizer um 'partidão, chegara à meia-idade em perfeita forma e solteiro. Tinha belíssimos olhos azuis, cabelos muito claros e um corpo de deixar a velhinha do 308 de dentadura caída. Não havia uma mulher que não olhasse aquele ex-policial duas vezes. O pior é que ele não dava importância a isso. Era bom aquele homem...Um monumento!


    Abandonara sua carreira quando seu parceiro morreu em troca de tiros com bandidos em Vigário Geral e dali em diante, pegou pra si a obrigação de sustentar a viúva e os trigêmeos. E assim ele vinha vivendo sua vida como Deus mandava. Por vezes viajava a trabalho, saía com amigos, brincava com os afilhados, consolava sua amiga viúva e mal tinha tempo pra si. Até aquele dia que decidiu dar uma caminhada pelas trilhas da Floresta da Tijuca.


    A manhã surgiu em todo seu resplendor. Toledo acordou num sobressalto, retirou de cima do peito o livro de Mitologia Celta que estava lendo até tarde na noite passada e havia adormecido segurando. Tomou banho, preparou seu desjejum e foi pegar o metrô para a Tijuca onde se encontra a linha de ônibus que sobe o alto da Boa Vista. Chegou à Floresta, caminhou pelas trilhas e nesta rotina passou o dia todo. De vez em quando, sentava-se para descansar e pensar na vida.


    Entardeceu e ele nem tinha sentido, pois seu dia estava ótimo. Toda aquela natureza calma estava lhe fazendo bem. Quando já se aproximava o momento de descer, um canto lhe chamou atenção. Aproximou-se pra escutar e observou que além do canto, som de tambores acompanhavam e faziam um verdadeiro barulho entre as matas ...


    Não resistindo passou a seguir em frente pra descobrir do que se tratava. Ao chegar lá, se deparou com uma cena que jamais esperava encontrar. Ainda mais no Rio de janeiro, parecia cena de filme.


    O desconcerto e a curiosidade eram intensos. Jamais tinha visto aquilo.Verdadeiras mulheres que mais pareciam ninfas, se agrupavam em volta de um caldeirão em chamas com um altar improvisado e no centro focalizava-se uma verdadeira amazona. Ela não só era linda com aqueles cabelos negros e olhos verdes, como cantava como um rouxinol. Aquela majestosa voz eriçava seus cabelos e a melodia desconhecida completava sua alma.


    Toledo ficou observando aquela cena, não sabia se era macabra ou divina. Estava hipnotizado por aquelas 'Adoradoras de Macha'. Permaneceu observando-as em seu culto pagão até escutar seu nome. Não acreditava como, mais aquela mulher pedia que se aproximasse...


    Descoberto de seu esconderijo entre as folhagens, caminhou em direção a aquela criatura metade mulher, metade deusa, e ela lhe disse o quanto sua presença era esperada. Explicou-lhe que ele representaria a essencia masculina, como um macho divino e juntos celebrariam o grande rito. Seriam naquele momento, a encenação ancestral dos amantes que se unem pra benzer a terra. Este ao escuta-la, nem pensou duas vezes dado o seu encantamento. Deixou-se conduzir para o círculo totalmente embevecido. Participou de todo o ritual doando à estranha seu sêmen sagrado.


    Jamais viu tamanha beleza ou sentiu tamanha necessidade de alguém. Sentia-se enfeitiçado por aquela mulher e levado pela cadência de sua voz chegou a um êxtase total. Naquele local perdido, nada importava. Apenas folhas balançavam...Escutava-se som de bichos...Barulho das águas...tambores e nada mais.


    Toledo acordou num sobressalto, retirou de cima do peito o livro de Mitologia Celta que estava lendo até tarde na noite passada...Sonhara e sua diva não passava de uma ilusão. Seus dias continuariam escuros e não escutaria aquele maravilhoso canto. Parecia um herói perdido em combate no reino da morte...




    Macha – Deusa irlandesa venerada nos templos de Emain Macha, em Ulster. Sua voz enfeitiçava os homens nos campos de batalha, atraindo-os para seu escuro reino da morte.Conhecida como a Rainha dos Fantasmas

  6. Chegamos ao 10º Desafio.
    Hoje é dia de Festa na IL!!!

    Muitas novidades e surpresas....

    O tema escolhido é:
    Imagem e Texto

    Período de votação: 18/08 a 20/08


    Aguardamos a participação de todos!