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Um estranho na linha
28/10/2009
00:45pm. O celular registra a hora da ligação.
Chamada não identificada.
Uma voz que não reconheço, pergunta:
─ Quem tá falando?
─ Quer falar com quem?
─ Com você mesmo.
─Com você, quem?
─Com você, ora. Para que nomes?
─ Eu tenho mais o que fazer – digo irritada.
─ Eu também tenho. Mas hoje não sei por que tive vontade de conversar com você.
─Veja bem: eu não te conheço, não sei quem você é. Como você achou o meu número?
─ Liguei a esmo. Isso realmente importa?
─ Importa sim, porque mamãe me orientou que não devo conversar com estranhos.
─ Me agrada esse humor sutil e irônico. Gosto de pessoas objetivas e diretas como você. Admiro quem tem atitude e diz o que pensa na cara dura.
─ Pois é, por isso, vê se não me amola. Tenho mais o que fazer e vou desligar, ok? Foi um desprazer te conhecer...
─ Espera!! Não desligue, por favor.
─ Hã? Você sabe que horas são?
─A hora certa para se conversar com alguém. Preciso conversar com alguém.
─ Olha só...procura na lista o Disk-oração. Eu não estou nem um pouco interessada em ouvir o que você tem a me dizer.
─ Já parou para pensar que talvez eu tenha algo a te dizer?
─ Como assim?
─ Quis o destino que eu te encontrasse. Isso não é acaso.
─ Ah, não? Então o que é? Detesto frases de efeito, principalmente em uma hora dessas.
─ Eu te liguei porque algo me dizia que você precisava de mim.
─ (Risos) É mesmo?
─ Sim. É sério. Quer saber o que tenho para te dizer?
─ Diga. 01 minuto e depois desligo.
─ Penso que você não estaria preparada para ouvir o que tenho para te dizer.
─ Por que não? – replico intrigada
─ Ligo amanhã.
─ Espera aí, por favor! Preciso saber o que tem para me dizer!
─ Hoje não.
─ Mas se você mesmo disse que foi o destino que fez com que ligasse para mim?! Como você vai me encontrar novamente?
─ Não interessa o como. Agora vou desligar. A nossa conversa foi boa e bastante reveladora.
─ Reveladora? Como assim? Não entendi nada. Eu exijo uma resposta...
─ Beijo me liga!
─Como assim?
Tu...tu...tu.. Cai a ligação. Olho para o celular sem entender.
Nessa noite quase não durmo.
Até hoje espero a ligação de um alguém em algum lugar para me revelar o que eu não sei.
Por Rê Lima
Beijo me liga. Tu...tu...tuPostado por Rê às 21:18 | Marcadores: Autora-Rê Lima, Tema XXXIII - Celular | 6 comentários |
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O PRIMEIRO NÃO SE ESQUECE
27/10/2009
Por: Cris Costa
Ainda me lembro do dia em que ganhei meu primeiro celular...Uau!!!
Lindo! Robusto! Com aproximadamente 15 centímetros de comprimento, antena que esticava quase um metro e realmente ela era necessária, só tinha uma opção de toque, pesava quase um quilo, mas era o máximo em tecnologia.
Na verdade, quando meus pais me entregaram o celular, alegando que eu precisava dele para facilitar o contato com eles, visto que estudava em outra cidade; naquele instante já o associei a algo mais importante. Pedro...Ah! Pedro!.
Pedro era meu namorado, meu primeiro AMOR... Ele estudava em outra cidade, logo, podíamos conversar durante a semana, sem depender dos terríveis orelhões e na hora que quiséssemos. E confesso que me empolguei na época. Como era divertido! Falar com quem quisesse de qualquer lugar.
Até que um dia meus pais convocaram uma reunião e apresentaram a conta mensal de sua utilização. Tinha esbanjado um pouco além do necessário e, portanto as conversas com Pedro se tornaram mais rápidas quando eu ligava. Naquele tempo a cobrança era uma fortuna.
Uma bela tarde de sol, fui com a mãe de Pedro visitá-lo na república onde morava e ao chegarmos de surpresa encontramos uma menina na casa. Simpática, alegre demais, com uma mecha amarela reluzente nos cabelos, na parte que seria a franja.
Quem me conhece sabe muito bem que dificilmente não me simpatizo com as pessoas. Não gostei dela imediatamente. Ela me mediu dos pés a cabeça e disse: “Você que é a famosa Mariana?”. Dei um meio sorriso e confirmei com a cabeça. Mas no fundo tive vontade de responder: “Sim! Sou a famosa Mariana e você é o cruzamento da bruxa Morgana com a Elvira, A Rainha das Trevas?”. Meu sangue fervia, se naquela época existisse chip, ele teria queimado. Isso não era bom sinal...e tenham certeza que não era necessário antena para captar que havia algo estranho ali.
Ok! Eles moravam em cinco rapazes na república, não podia acusar o Pedro de nada, e nem o fiz. Passadas algumas semanas, Pedro comprou um novo celular, moderno, menor e mais potente. Engraçado que apesar de tudo o que dizia o manual de instruções, tornou-se mais difícil falar com ele. Sempre com sinal ruim, chiado, etc... As conversas mais rápidas. Às vezes achava que o meu celular me odiava...ficava sem sinal, a bateria terminava quando mais precisava, tocava quando não devia.
Como era época de provas, Pedro me ligou avisando que não viria no final de semana, pois teria que estudar muito para não ficar de exame. A cidade onde ele morava ficava à uma hora de distância de nossa cidade natal, e, ele acreditava que iria estudar mais ficando na república do que em seu doce lar. Há! Ha! Ha! ... A quem ele tentava enganar. "AH!!!! Tá!!! Eu nasci ontem, acredito em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa".
No sábado à noite liguei para o celular dele e nada. Confesso que encarnei a verdadeira “pentelha” e fiquei ligando a cada hora. Tudo bem que meus pais iriam cortar minha cabeça quando a conta chegasse, mas valeria a pena o sofrimento, preferia a cabeça cortada a ser enganada.
No domingo na hora do almoço ele me ligou, pedindo mil desculpas que tinha ido até a faculdade em um grupo de estudo e tinha chegado tarde e assim não retornou a ligação para casa porque não queria assustar meus pais. “Hello!!!! Eu também tenho celular, que ligasse nele!...”.
E encurtando a história, não é que depois de umas duas semanas, Pedro ligou no meu celular, triste, gaguejando, bem diferente do que era. “O que foi Pedro? Quer terminar o namoro?”. Perguntei direto, não sou muito de cerimônia. “Mari, eu te amo, mas estou tão ocupado na faculdade, com tanta coisa na cabeça...eu não quero terminar o namoro, quero somente dar um tempo...”. Ele falava e eu pensava: “muita coisa na cabeça, não é muita coisa...ela é baixinha com uma mecha ridícula no cabelo”.
Quem dá tempo é relógio! Não acredito nesse negócio de dar um tempo na relação...e como a bateria do celular, o nosso namoro acabou, mesmo contra a vontade dele.
E não é que esta vida evolui tanto quanto os aparelhos celulares. Um ano e meio depois, eis que Pedro liga em casa e minha inocente mãe informa o número do meu novo telefone. E ele me ligou. Eu o desprezei. Ele foi à minha casa. “Eu te amo”, ele disse. “Quero você de volta!”.
Eu tinha acabado de iniciar um novo relacionamento e estava completamente satisfeita. O que não posso dizer quanto a minha operadora. E foi isso que disse para ele. Como cidade pequena é uma “desgraça”, todo mundo conhece todo mundo, Pedro descobriu quem era e foi procurar pelo meu novo amor. Estava indo para a faculdade, quando Beto me ligou e contou o ocorrido. Tentem imaginar minha situação. Na época foi constrangedor, hoje é motivo de piada!!!
Passei a viver o famoso jogo do gato e rato. Onde ia, lá estava Pedro. Flores chegavam aos montes. Ligações, mais ligações no meu celular que não eram mais atendidas. O ápice foi quando Pedro encontrou com Beto no clube e sem qualquer maior explicação declarou guerra: “Ela vai ser minha de novo! Você não tem a menor chance!”.
Por ironia do destino, naquele dia levei meu “tijorola” para ser utilizado como comparativo em uma aula de evolução humana. Ao chegar em minha casa, lá estava o chato, insuportável e mesquinho Pedro. Tentei ser educada e explicar que estava apaixonada pelo Beto, que o máximo que poderíamos ser era amigos. E do nada, Pedro me agarrou, tentando me beijar à força.
Juro que não foi premeditado, foi legítima defesa...tasquei o “tijorola” na cabeça do infeliz. Não sei dizer qual a intensidade de força, mas ele me empurrou e levou a mão à cabeça, com expressão de dor. “Acabou tudo entre nós”, ele falou. “Não!!! Acabou a quase dois anos”, foi o que respondi.
Meio cambaleando Pedro entrou em seu carro e desapareceu. Felizmente, nunca mais o vi. Soube que levou dois pontos na cabeça, mas ele não explicou para nenhum de nossos amigos o que tinha acontecido, nem sei se fui a causadora do ferimento.
Hoje na era dos celulares que falam, cantam, dançam entre outras opções, meu querido “tijorola” parece um dinossauro. Ainda está guardado no armário de relíquias do meu pai. Ele pesa o dobro e também é maior que o telefone sem fio de casa. Imagine perto do meu atual celular...Ele é um monstro!
Enfim, segundo teorias, o aparelho celular surgiu no intuito de facilitar ainda mais as nossas vidas, ou, para nos rastrear vinte e quatro horas e nos escravizar por espontânea vontade.
Mas, no meu caso, meu primeiro celular acabou tendo um papel de suma importância em minha vida. Funcionou no momento que realmente precisei, mesmo que não tenha sido com uma ligação, mas como uma arma de defesa.
Por isso, afirmo que realmente o primeiro nunca se esquece, independente do que seja.
(Elvira, a Rainha das Trevas: Elvira, Mistress of the Dark - Filme Comédia, New World Pictures, 1988)("Tijorola" - forma como foram apelidados os primeiros modelos lançados nos Brasil)Postado por Cris às 20:42 | Marcadores: Autora-Cris Costa, Tema XXXIII - Celular | 4 comentários |
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Um telefone celular viajando no tempo
25/10/2009
E se em um belo (ou até mesmo feio) dia, um telefone celular fosse parar em algum lugar no passado remoto onde não pudesse nem mesmo ser reconhecido como um aparelho?
Já me perguntei como poderia isso acontecer. Talvez uma máquina do tempo, ou talvez algum desígnio divino, afinal Deus tem seu poder de voto em coisas estranhas assim.
Digamos apenas que um celular, modelo mais comum e simples possível da Motorola, com a bateria totalmente carregada, tenha ido parar na Idade Média.
Você deve estar se perguntando por que um Motorola. Apenas imaginei que, quem quer que fosse responsável pelo envio, poderia ter um estranho senso de humor e pusesse o toque “Hello Moto” para tocar.
Claro que nesta suposição histórica estranha, para ter alguma graça extra, o celular teria que funcionar. A pessoa que o enviou ao passado teria que conseguir ligar para ele e tentar conversar com alguém. E, é óbvio, que este alguém teria que ser alguém importante e que pudesse de alguma forma fazer diferença no passado.
Quem então poderia ser a pessoa escolhida para, na Idade Média, ouvir vozes de um pequeno e estranho aparelho? Claro, você já captou a mensagem em SMS, a Donzela de Lorena, Joana D´Arc. Afinal, a moça já ouvia vozes desde a mais tenra idade. Ouvir uma voz real que não estivesse em sua cabeça não seria assim tão estranho para ela.
Então, finalmente, começaremos esta suposta história. Joana com apenas 16 anos, quase 17, pouco antes de se encontrar com o Delfim e conseguir seu estandarte e o comando das tropas francesas. Este é o momento ideal para tentar “conversar” com a moça.
Lá está ela, em um dia não tão belo na cidade de Domrèmy, sentada sobre uma pedra, próxima de um bosque. Seu olhar perdido, procura ouvir “as vozes” que já lhe incitaram várias vezes a ir atrás do Delfim. O pequeno aparelho celular, depois de viajar no tempo, aparece na sua frente com um estalar de pequenos raios.
“Mas o que será aquilo, meu Deus!” – pensa a jovem donzela.
Talvez fosse a resposta das “vozes” as suas perguntas. Com certo receio, a garota abaixa-se e toca o objeto. Ele é frio ao toque e não parece perigoso. Pega-o nas mãos e sem querer toca algumas teclas o que faz acender as luzes. Ela é uma garota muito corajosa e não deixa cair o objeto, apesar de assustar-se um pouco.
Analisa-o cuidadosamente de todos os ângulos possíveis e então ele acende novamente e fala com ela: “Hello Moto”. Ela reconhece a língua, apesar de não compreender o significado. E o objeto continua piscando e falando com ela.
“Olá! Seja quem for, fale comigo” – diz a jovem.
Assim ficam os dois, aparelho e Joana, por alguns minutos até que, acidentalmente, novamente, ela aperta alguns botões e faz o aparelho atender a chamada.
Ela fica assustada por ele parar de piscar e falar, mas ouve um pequeno grito vindo dele. Aproxima o aparelho da orelha para escutar e ouve alguém falar com ela.
“Aproxime o aparelho da orelha e fale comigo” – diz a voz. É claro que a pessoa com humor que enviou o aparelho fala a língua de Joana, senão nada disto seria possível.
Joana, fazendo o que lhe manda a voz, aproxima mais ainda sua orelha do aparelho e diz: “São Miguel?”. Claro que ela supõe que a voz que fala com ela é uma das vozes que já havia lhe falado. Como é uma voz masculina (só um homem poderia pensar em algo tão absurdo quanto mandar um celular para Joana D´Arc), ela supõe que seja o Arcanjo Miguel que já havia lhe falado.
A pessoa do outro lado da linha, esperta por natureza, responde: “Sim, minha filha. Ouve-me, pois tenho algo a lhe dizer”.
Então começa a contar a Joana sobre todas as coisas que acontecerão. Sua entrevista com o Delfim, seu estandarte branco, suas vitórias em batalha e a coroação do Rei Carlos VII em Reims. Conta também sobre as coisas ruins que viriam depois, sobre a flechada que levaria em Paris, o recuo das tropas francesas e sua captura pelos borguinhões. Fala sobre sua prisão e sobre o processo por bruxaria que terminaria com sua execução na fogueira.
Joana não emite um único suspiro, apenas ouve. E quando “São Miguel” termina sua fala e pergunta se o está ouvindo ela diz: “Inglês dos infernos, fazendo se passar por São Miguel”. Atira o aparelho ao chão e foge dali, mais determinada que nunca a procurar o seu rei e dar início a uma caminhada contra os ingleses.
E lá no chão, permanece o Motorola enviado do futuro para tentar salvar da morte uma jovem donzela de Lorena. Depois de desligar a ligação e tentar ligar mais algumas vezes (“Hello Moto” tocando sem parar), o esperto que tentou mudar o passado desiste da ligação e pensa em para quem mandará o próximo aparelho celular. Desta vez um Nokia que não fale, que apenas toque uma música celestial em MP3.
Ele realmente não aprendeu a não tentar mudar o passado. Talvez envie para Júlio César, ou quem sabe Cleópatra. Poderia ainda mandar para Alexandre, o Grande, ou para Napoleão Bonaparte. Tem que ser para alguém louco ou egocêntrico o suficiente que acredite que “Deus” está tentando falar com ele.
por Medéia
Postado por Medéia (Carlena) às 10:28 | Marcadores: Autora-Medéia, Tema XXXIII - Celular | 6 comentários |
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XXXIII Desafio
Tema: Celular
Votação: 29/10 a 31/10Por Lyani
Inspirado na personagem Dominó de X-men
(Não, eu não sou fanática por X-men :S )A chuva caía fina na rua escura. Não sabia dizer quanto tempo ficara olhando através da janela. Não sabia dizer há quantas horas estava sem colocar nada na boca. Sabia que estava cansada, que precisava dormir, mas também sabia que era inútil deitar.
Esperava, sem ansiedade nenhuma, um telefonema. Sentiu algo vibrar em cima da mesa da sala fazendo um barulho que a sobressaltou. Pegou o aparelho celular rapidamente, sem sequer olhar para a tela.
“Alô” Sua voz há muito adotara um tom metálico. Duro. A suavidade morrera, com todo o resto.
“Independence, 211. Apartamento 103” A voz do outro lado era grave, áspera e urgente. Não esperou resposta por parte dela e desligou.
Suspirou, olhando uma última vez pela janela, antes de levantar-se, o celular esquecido na mesinha novamente. Aquele tipo de trabalho não deveria ser designado a ela. Seu alto potencial deveria ser usado de outras formas, mas sabia exatamente porquê a procuravam para isso também. Não tinha emoções, agia como uma máquina.
Pegou a arma que descansava no sofá ao seu lado e verificou se estava carregada. O som familiar ecoando pelo ambiente bem mobiliado. Definitivamente não era a única arma que levava. Nunca era.
Ajustou as duas pistolas à cintura, e verificou a que estava amarrada à perna. Fechou a jaqueta de couro negro, escondendo mais duas armas. Caminhou até o banheiro, onde retocou o batom vermelho sangue. Era a única cor em seu rosto, depois de seus olhos azuis.
Havia, é claro, aquela mancha negra ao redor de seu olho esquerdo, que chamava tanta atenção. Ela já se acostumara a isso. Era por essa mancha que ele havia lhe dado o apelido de Dominó. Apelido esse, que usava até hoje.
Passou as mãos nos cabelos curtos e lisos, sem encarar-se no espelho. Há muito fugia de seus próprios olhos. Há muito não fazia muitas coisas. Deixou o apartamento em seguida, sem se dar ao trabalho de pegar o celular na mesinha.
O endereço que ele lhe dera não era muito longe dali e por isso foi a pé. Sempre a pé. A chuva fina deixara apenas as pesadas nuvens do céu e as ruas molhadas. Não era de se estranhar as ruas estarem vazias, pelo horário avançado. Uns raros carros passaram por ela, sem nem notá-la. Era uma mancha escura nas sombras dos grandes prédios. Tão vazia quanto às paredes geladas que os sustentavam.
Sorte é uma coisa complexa. Algumas pessoas baseiam suas vidas achando que por “sorte” algo vai lhes acontecer do nada. Outras simplesmente não acreditam. Para ela, a “sorte” era parte integrante do seu ser. Tanto que não estranhou a escada de incêndio estar abaixada na lateral do prédio onde deveria ir, nem a o fato de não haver sequer uma luz acesa em nenhuma das janelas daquele lado. Isso era um ponto a seu favor, talvez não fosse vista por ninguém.
Começou a subir os degraus de forma ágil e silenciosa. Em poucos segundos já estava parada diante da janela. Por “sorte” ela estava aberta, a cortina oscilando lentamente para fora no ar frio da noite. Ela entrou. Sabia que deixaria pegadas molhadas pela casa, mas não se importou. Estava na sala de jantar e podia ouvir uns risinhos e sons abafados vindos do quarto. Revirou os olhos e não pensou duas vezes, seguindo em direção aos sons que ficavam cada vez mais altos. Sentiu o estômago embrulhar. Era normal. Sempre que seguia em direção a uma missão como essa, sentia-se assim.
A porta do quarto estava aberta e ela podia divisar o homem corpulento e grisalho deitado de costas na cama grande, olhando extasiado para a moça, muito jovem, que rebolava em cima de seu corpo. Sons guturais saiam do fundo de sua garganta, enquanto ela ria e rebolava mais, jogando os cabelos longos e loiros para trás.
Que bela ocasião para morrer. Domino entrou no quarto decidida. Em quatro longos passos se aproximou bastante, empunhando uma arma que apontava para a cabeça do homem. Viu os olhos dele se arregalarem, os dedos afundarem muito no quadril da moça, que soltou um grito de horror ao vê-la.
Foi tudo muito rápido. Sentiu o próprio dedo apertando o gatilho da arma, e a bala perfurando a cabeça do homem, o sangue sujando a parede branca atrás. A moça desesperou-se, levantando nua e tropeçando ao tentar correr. Domino apontou a arma para as costas dela e atirou novamente. Viu o corpo dela cair mole no chão, batendo antes num carrinho de bebida que tombou. As bebidas se misturando no carpete marfim. O sangue no carpete marfim.
Guardou a arma, e voltou pelo mesmo caminho em direção à escada lateral. E pelo mesmo caminho até o apartamento onde estava hospedada há apenas três dias. Assim que entrou, fechou a porta e jogou-se no sofá, o aparelho celular no ouvido.
“Está feito” E não havia alegria em sua voz. Tampouco tristeza. Não havia nada.
Postado por Anônimo às 10:13 | Marcadores: Autora-Lyani, Tema XXXIII - Celular | 4 comentários |
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TEMA - 33º DESAFIO
13/10/2009
Pessoal, obrigada pelos comentários e votos...Estava refletindo sobre um tema, quando meu celular tocou. Novamente me concentrei e quando estava quase decidindo escolhendo pelo sitema "mamãe mandou", não é que ele tocou novamente. Já estava quase atirando-o pela sacada, quando de repente...acabei por escolher o próprio como tema, já que não posso me livrar dele.Tema: CelularData Postagem: 13/10 a 28/10Votação: 29/10 a 31/10Postado por Cris às 16:44 | Marcadores: Tema XXXIII - Celular | 2 comentários |