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Votação - 21º DESAFIO
06/03/2009
E mais uma vez aqui estamos.
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A sua crítica melhora o nosso desempenho!
A votação será até o dia 09-03-2009.Postado por Medéia (Carlena) às 00:51 | Marcadores: Tema XXI - Desdobre o texto, Votação | 14 comentários |
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Irresistível
05/03/2009
Por: Cris CostaNão soube identificar se era noite ou se era dia. O silêncio era incomum, o que fazia parecer noite; a claridade porém, fazia parecer dia. O relógio não estava no local de costume, a cortina totalmente fechada. “Droga! Que horas são?”.
Apalpou o outro lado da cama e teve certeza de que ele estava vazio a um bom tempo, pois nem desfeito estava. Tocou de leve a colcha e o travesseiro, procurando a forma e o calor do corpo que ele tanto desejava.
Então, decidiu que devia verificar o que estava acontecendo. Sentou-se na cama e procurou pelos chinelos que ficavam sempre perfeitamente paralelos a cama, mas eles não estavam lá. Pisou no chão frio e caminhou até o armário, encontrando-o vazio.
- Eve! Eve!! – gritou ele, abrindo a porta do quarto.Ainda desorientado pelo sono, foi procurá-la no banheiro, afinal ela adorava longos banhos na banheira. “Eve e seus sais, amigos inseparáveis!”. Nada. Tão vazio quanto o outro lado da cama. Tudo parecia diferente, tudo estava calmo e vazio demais.
- Eve, querida, onde você está??? – mais uma vez, a única resposta foi o próprio som de sua voz.
Um arrepio lhe percorreu a espinha, todo aquele silêncio era incomum, aquela calma era agonizante. O vazio lhe causou frio. O corredor parecia muito maior. Não sentia seus pés tocarem o chão. Nada parecia como era anteriormente.
- Eve! Eve! Querida chega de brincadeira! Você conseguiu...estou muito assustado, ou melhor, estou desesperado! – disse ele, caminhando pelo longo corredor.
Tentou abrir a primeira porta da esquerda, mas ao girar a maçaneta constatou que ela estava trancada. Tentou a próxima porta, depois a outra e assim sucessivamente. As portas estavam todas trancadas, aliás, havia mais portas do que ele se lembrava. Começou a caminhar mais rápido, pois sentia a necessidade de chegar a algum lugar, mesmo não sabendo que lugar era este.
Começou a correr, mas parecia que quanto mais corria, mais ele ficava preso no mesmo lugar. “Deve ser um sonho! Só pode ser um sonho!”. Em sinal de total desespero beliscou-se. “Aaaaaiiiiiii! Caramba...não é sonho!”. Ele se lembrava que normalmente, nos filmes de terror, ao ser beliscado, o mocinho acordava do sonho ruim, mas, naquele momento a tática do beliscão não funcionou, ou melhor, funcionou, pois seu antebraço estava doendo muito. Se ele sentia a dor e tudo continuava como antes, aquilo não era um sonho.
Conseguiu alcançar o final do corredor, a última porta, que estava no lugar do antigo vitral. Girou calma e lentamente a maçaneta e esta se abriu, espalhando uma luz, que nem duzentos holofotes poderiam produzir. Era apaziguador e assustador. Tudo era tão claro, que demorou alguns instantes até que seus olhos se acostumassem. Tateou a sua volta em busca de algo. Não conseguia identificar nada a sua volta. Ele não sentia medo do desconhecido, somente sentia curiosidade. Sentia-se calmo e feliz, como se todos os seus temores tivessem desaparecido. Para aquele lugar ser o paraíso só faltava uma pessoa: Evelyn!
Ele caminhava em direção à luz; procurando sua fonte. A luz o desejava tanto quanto ele a desejava. “Daniel! Daniel!”. Ouvia chamar seu nome e era a voz mais sedutora que já ouvira. Confortante, talvez fosse o termo correto. Toda aquela paz, o silêncio, a luz, era quase impossível resistir.
“Daniel, por favor, não!”
“Eu te amo!”
Aquela voz doce e forte era inconfundível. Era a voz da mulher que ele tinha amado desde o primeiro momento em que seus olhos se cruzaram. “Eve!”. Ela não estava naquela sala, disso ele tinha certeza; ela parecia estar tão distante. Ele parecia estar tão distante.
“Daniel, Daniel”. A voz sedutora parecia se aproximar cada vez mais, induzindo que ele a seguisse. Ele ficou entorpecido, ouvindo aquelas vozes tão diferentes chamando seu nome, desejando-o.
Neste momento a porta rompeu-se e ele foi tragado de volta para o corredor, numa velocidade inexplicável, não sendo possível que ele se agarrasse a nada. Ele queria a luz, mas a outra força era eletrizante. A luz foi ficando cada vez mais distante e a porta fechou-se novamente. Uma dor extrema percorreu seu peito e tudo se apagou.
Ele abriu os olhos lentamente. Havia acordado sem que o despertador tocasse. Apalpou o outro lado da cama e para sua surpresa tocou o vazio. Sua mão tateou o vazio e acabou por chocar-se com uma mesinha. Percebeu que fios saíam de seu peito, ouviu um som repetitivo “bip...bip...bip”, desenhando pequenos gráficos na tela. O desfribilizador estava ao lado da cama.
Olhou a sua volta e em meio aquele ambiente frio, repousando em uma poltrona no canto escuro do quarto estava ela, Eve. Ele havia voltado para casa. A última porta tinha se fechado novamente para ele.
Aquela sala iluminada e sua voz era muito tentadora, mas, Eve, esta sim era irresistível."O que o acordou foi o silêncio. Primeiro, o do despertador que não tocou à hora combinada todas as manhãs. Depois, o de outra respiração, que devia ouvir e não ouvia. Estendeu a mão para o quente do outro lado da cama e encontrou o frio. Apalpou e encontrou vazio. Então, sim, despertou completamente." (De Miguel Sousa Tavares in Não te deixarei morrer, David Crockett)Postado por Cris às 12:18 | Marcadores: Autora-Cris Costa, Tema XXI - Desdobre o texto | 4 comentários |
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por MedéiaUma vida normal. Nem agitada demais, nem solitária demais. Assim ele vivia, cercado pela família, mulher e dois filhos.
Despertava de manhã com o rádio-relógio e recebia um carinho da mulher antes de sair da cama. Depois de escovar os dentes, ligava a cafeteira enquanto fazia um sanduíche. O aroma do café lhe fazia despertar mais. Não via os filhos antes de sair porque eles ainda dormiam, mas sabia que estavam lá. O caminho para o trabalho era feito em silêncio, quebrado apenas pelo rádio do carro e as notícias da madrugada.
O trabalho também era normal. Um escritório qualquer com papeladas, computadores, telefones e muita confusão diária. Não havia pausa nem mesmo no almoço, que muitas vezes era um sanduíche entre os papéis e o teclado.
Chegar em casa era bom e normal. Uma mulher cheirosa, uma casa limpa, crianças felizes e ansiosas que lhe esperavam para contar as aventuras do dia. Um jantar normal, televisão e as notícias do dia. Às vezes um futebol, outras vezes um filme, mas na maioria das vezes novelas. E dormir ao lado de sua carinhosa mulher para no outro dia começar tudo novamente.
Quando tudo aconteceu, ele não lembra. O início foi devagar, pequenas coisas, algumas novas manias. Nada muito anormal, mas que minava aos poucos a sanidade conseguida.
O que desencadeou também não sabia. Talvez a absoluta normalidade da sua vida, sem nem uma novidade realmente nova, uma rotina sem fim das mesmas coisas. Mas também já podia estar lá, dentro dele, toda a sua vida.
O que ele sabia é que aos poucos sua rotina foi mudando. Um dia chegar atrasado ao serviço, no outro não voltar no horário para casa. E outras atitudes que todos começaram a perceber e a estranhar.
E então coisas mais absurdas, consideradas não normais. Ir de pijama ao trabalho, acordar de madrugada para cortar grama, não pentear os cabelos por uma semana. Sua mulher já não era mais carinhosa, seus filhos tinham o medo no olhar, e seus colegas e vizinhos cochichavam em suas costas sobre a dita loucura que se instalara em sua mente.
Mas seria mesmo loucura? Ou só algo fora do padrão, fora do normal? Ele não sabia e continua sem saber, porque ninguém queria nem quer entender os seus motivos.
Primeiro perdeu o emprego, então perdeu os amigos e o respeito da família e agora perdeu sua liberdade. Ele hoje vive entre quatro paredes brancas e um colchão apenas. Seus dias são da forma que ele quiser que sejam, absolutamente fora do arquétipo que construíram para sua vida. E ele dorme. Mas quem sabe um dia desperte novamente o homem normal, aquele que a sociedade aceita, que a família aceita. Mas como será então este dia?
“O que o acordou foi o silêncio. Primeiro, o do despertador que não tocou à hora combinada todas as manhãs. Depois, o de outra respiração, que devia ouvir e não ouvia. Estendeu a mão para o quente do outro lado da cama e encontrou o frio. Apalpou e encontrou vazio. Então, sim, despertou completamente.” (De Miguel Sousa Tavares in Não te deixarei morrer, David Crockett )Postado por Medéia (Carlena) às 10:01 | Marcadores: Autora-Medéia, Tema XXI - Desdobre o texto | 5 comentários |
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Essa Esperança
02/03/2009
XXI Desafio
Tema: Desdobre o Texto
Período para votação: 06 a 09 de Março“O que o acordou foi o silêncio. Primeiro, o do despertador que não tocou à hora combinada todas as manhãs. Depois, o de outra respiração, que devia ouvir e não ouvia. Estendeu a mão para o quente do outro lado da cama e encontrou o frio. Apalpou e encontrou vazio. Então, sim, despertou completamente”
Miguel Sousa Tavares in Não te deixarei morrer, David CrockettPor LyaniPrimeiro fitou o teto branco com duas estrelinhas daqueles adesivos que brilham no escuro e que tinham descuidadamente esquecido de tirar antes de pintar quando se mudaram. Suspirou três vezes, a última de forma profunda e dolorosa, como se aquela rotina diária doesse mais do que era capaz de suportar. Mas suportava. Todos os dias. Virou o rosto para o criado mudo e para a foto dela sorrindo estática. As sardas no rosto claro e os olhos cor de mel que sempre o encantaram. Uma lágrima poderia ter se desprendido dos cílios úmidos e corrido pela face pálida neste momento, mas não era a primeira vez que fazia isso. Não seria a última. Ainda não. E não houve lágrima, só o movimento de levantar-se. Sentou-se na cama, os ombros pesados. Havia se passado quanto tempo desde a última vez? Ergueu-se por inteiro e respirou o ar pesado da ausência arranjando força pra andar até o guarda-roupa. Abriu a primeira porta só para encontrar o vazio. Os cabides negros em contraste com a madeira clara sequer se moviam. Nunca. Abriu a segunda porta, a terceira e na última seu coração sempre disparava ao ver alguma roupa. Mas era a sua própria roupa. Era sempre a sua própria roupa. E era nesse momento que corria pela casa, gritando aquele nome tão seu, tão dela. Procurava no banheiro, na sala de estar, na copa, na cozinha. E então parava na sala, um pouco diante da porta de entrada ao lado daquele vaso que ela adorava e ali se lembrava, com olhos chocados e cansados que ela não estava lá. Nunca mais estaria lá de novo. Então se jogava no sofá, sempre no canto mais afastado do telefone porque sabia que tocaria, sempre no mesmo horário todo dia. Era sua mãe querendo que ele parasse com aquilo, que se lembrasse de que estava vivo e que tinha que voltar a fazer alguma coisa. Às vezes depois que o telefone tocava sem nenhuma menção dele atender, ela aparecia. Sempre meia hora depois da ligação, com aquele ar maternal, trazendo comida, conversando sobre coisas amenas, tentando persuadi-lo a ir a um psicólogo. E era sempre a mesma coisa. Olhar vazio para ela, para qualquer coisa ou qualquer um. Balançar de cabeça como se concordasse em fazer qualquer coisa só pra voltar a ficar sozinho e ela ia embora com o olhar mais triste do que quando chegara. Olhar de derrota. O seu também. Fazia quanto tempo desde o ultimo riso dela que ouvira naquela mesma sala? Quais foram as suas últimas palavras no jardim? Qual foi a última refeição que ela cozinhou? A última roupa que tocou? O último olhar foi em direção a que móvel? Quadro? Flor? Por quanto tempo ele fazia aquilo todo dia? Na esperança de que algum dia, ele iria acordar com a respiração dela e não com o silêncio. Que o despertador iria tocar no horário de sempre, e iria estender o braço e encontrar o corpo dela na cama ao seu lado e sorririam um para o outro. Tomariam café da manhã juntos e iriam trabalhar, esperando o momento de estarem juntos de novo. Por quanto tempo essa esperança iria perturbar ainda?Postado por Anônimo às 22:43 | Marcadores: Autora-Lyani, Tema XXI - Desdobre o texto | 5 comentários |
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Tema XXI - Desdobre o texto
19/02/2009
Vamos fazer algo diferente?
Então, para esse desafio muda-se um pouco a dinâmica. Ao invés de sapecar uma palavra para um tema, a proposta é desdobrar o parágrafo abaixo:O que o acordou foi o silêncio. Primeiro, o do despertador que não tocou à hora combinada todas as manhãs. Depois, o de outra respiração, que devia ouvir e não ouvia. Estendeu a mão para o quente do outro lado da cama e encontrou o frio. Apalpou e encontrou vazio. Então, sim, despertou completamente.
De Miguel Sousa Tavares in Não te deixarei morrer, David Crockett
Sucesso, pessoal!Prazo para postagem: 19/02 a 05/03Votação: 06/03 a 09/03Postado por Vivi às 10:19 | Marcadores: Tema XXI - Desdobre o texto | 4 comentários |