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    Mostrando postagens com marcador Tema XL - Segundo Sol. Mostrar todas as postagens
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  1. Em uma noite qualquer...

    Levantei-me às pressas e corri para o banheiro. Os enjoos matinais se tornaram frequentes nas últimas semanas, o que não era normal. A barriga saliente não permitia mais alegar “gastrite”, estava óbvio o motivo, ou melhor, os motivos.
    Ao olhar o espelho, lembrei-me de Lucius, o estranho arrepiante que conheci no coquetel de confraternização da empresa. Seu jeito de “garoto desprotegido”, olhar perdido e ao mesmo capaz de rasgar a alma, cortou meu coração e a vontade de protegê-lo, resultou em sexo inconsequente. Um arrepio percorreu meu corpo e suas palavras voltaram a minha mente. Era como se ele soprasse as palavras em meu ouvido.
    A hora estava próxima...

    Trinta e poucas semanas antes...

    A empresa havia conseguido uma conta multimilionária e todos os funcionários foram convidados para um coquetel em comemoração. Os dois sócios estavam presentes e eu mera secretária do setor artístico, estava mais que perdida entre todas aquelas pessoas requintadas.
    Próximo ao bar, meus olhos cruzaram com o de alguém mais perdido ainda. Ele olhava para todas as direções e movimentou os lábios, na tentativa de um sorriso quando me viu. Um arrepio percorreu meu corpo quando ele caminhou em minha direção. Com olhos azuis acinzentados, cabelos negros e pele muito branca, parecia vindo de outro planeta. Era perfeição demais para uma só pessoa.
    - Lucius é meu nome – disse pegando minha mão e pousando um suave beijo.
    - Mariah – foi só o que consegui dizer.
    Simpático, divertido e humilde, arrebatou meu coração e alma algumas horas depois. Entreguei-me inteiramente. Nunca imaginei que fosse possível todos aqueles sentimentos em um momento só.
    - Mariah! Você é minha! – disse ele em meu ouvido – A partir deste momento é a mulher mais poderosa do mundo! Todos rastejarão por você – e o frio voltou a percorrer meu corpo. Uma mistura de êxtase e medo.
    Acordei no dia seguinte em seu duplex, envolta em lençol de seda e pétalas de rosas. Parecia um sonho. Sobre o travesseiro dele uma caixa muito antiga de madeira com meu nome. Logo imaginei uma aliança e o pedido de casamento.
    Ao abrir o horror e desespero tomou conta de todo meu humilde ser. Humilde nem tanto! Era uma questão de tempo. Dois pequenos pares de sapatos. Pequenas asas.

    37 semanas depois...

    O sol parecia no horizonte, o céu estava limpo e as contrações começaram. Usei o número que ele havia deixado e alguns minutos depois, o grande carro negro estacionava em frente a minha casa.
    A motorista carregou as nossas bagagens e seguimos para o hospital. Todos estavam a nossa espera. As contrações aumentaram e quando Lucius apareceu em toda sua perfeição, foi como se tudo desaparecesse, hospital, médicos e as dores.
    Os gêmeos nasceram alguns minutos depois de sua chegada. Dois dias depois, olhando para aquelas duas crianças perfeitas, ainda temia pelo futuro de ambos.
    Lucius emitia aquilo que a meu ver era um sorriso e, por incrível que pareça nossos filhos retribuíam o sorriso. Pareciam que conversavam pelo olhar. Lindo e assustador.
    Ao passarmos pelas portas do hospital, um segundo sol escarlate refletia uma nova era. O começo. O fim. O futuro só dependia daqueles dois pequenos seres. O bem e o mal.

  2. Sol

    Um segundo só, sol

    Um segundo, sô!

    Um segundo de sol

    Lar

    Mente

    Soa

    Um segundo sol só

    Um segundo, segundo Sol!

    Si


  3. XL Desafio
    Tema:
    Segundo Sol

    Por Lyani

    Não saberia dizer há quanto tempo estava ali sentado. Olhou para o relógio de pulso e sorriu. 12:51. Agora só faltavam 9 minutos. Pegou seu Iphone, todo um ano de economia cabia na sua mão naquele momento, e deu check in no foursquare. O endereço exato de onde estava apareceu nas suas redes sociais. Estava em frente a Biblioteca Municipal, esperando os minutos passarem e o sol aparecer. Era um dia nublado e cinza de inverno. Abriu a página da internet pra ler as notícias e sorriu com uma delas que dizia que alguns astrônomos previam que a estrela Betelgeuse logo iria se tornar uma supernova e, em 2012, brilharia em nosso céu como um segundo Sol. Nada podia ser mais propício àquele momento. Twitou sua espera, blogou as esperanças e blipou Yellow do Coldplay para acalentar sua ansiedade. Os acordes da música o fizeram fechar os olhos por um minuto e já podia até sentir os raios de sol aquecendo-lhe a pele. O celular, que até fazia ligações, vibrou em sua mão e olhou pra tela pra verificar o que era embora já soubesse que era o alarme avisando: "Here Comes de Sun". Não precisava mais olhar o relógio, sua espera demorou apenas mais um segundo e lá estava: o Sol. Tirou os fones do ouvido pra contemplar a mudança no ambiente. A rua iluminou-se, o tom das árvores mudou, os pássaros cantavam alegres e até as pessoas encapuzadas, para afugentar o frio, pareciam mais animadas. Podia quase jurar que tinha visto até um sorriso. Quase, porque não podia fingir que na verdade não estava notando nada ao seu redor além dela. Sim, os fios dourados sob a touca de lã esvoaçavam com o vento frio do inverno, os olhos cor-de-mel iluminados por um brilho diferente de qualquer outra estrela do universo, mais intenso que qualquer supernova. As mãos pequenas, cobertas por luvas, seguravam um livro de encontro ao peito e o leve sorriso que curvava seus lábios rosados pra cima sempre davam a impressão de que ela andava lembrando de coisas boas e bonitas. Ela passou por ele sem sequer notar-lhe a presença, mas ele não se importou. Vê-la era o suficiente. No Iphone, a notícia dizia que aquele era um dos mais severos dias de inverno e que o Sol não apareceria tão cedo. O segundo, é claro. Porque seu primeiro Sol sempre seria ela.

  4. Há muitos anos que estou aqui.
    Milhares de anos para ser mais exata.
    Depois dos primeiros cem anos
    nada mais me surpreende, nada mais é novidade.

    Ainda recordo a minha infância humana,
    de correr na rua, de brincar e tomar banho de rio.
    Lembro da doce e tumultuada adolescência,
    com hormônios em ebulição e beijos roubados.

    E da noite escura em que fui mordida,
    jovem ainda, com toda vida para viver.
    Então eu ganhei o mundo,
    força, poder, beleza e vida eterna.

    Mas eu perdi o sabor do dia,
    Do sol, do verão escaldante, da primavera florida.
    O que não daria para renascer,
    para sentir o calor na minha pele,
    o vento morno em meus cabelos.

    E hoje, depois de tudo,
    sei que é o momento de terminar.
    Terminar com o tédio para voltar a ter o sol em mim,
    apenas instantes antes de tudo acabar,
    em meio ao calor da pele queimando.

  5. Olá, estamos de volta!

    Retirada do site Oh baby I love chocolate
    Não deu para ficar distante. Estávamos com muita saudades.  Embora as férias tenham se prolongado demais, continuamos com o mesmo sonho de antes, aquele de sempre:  o de contar histórias da  forma como sentimos, percebemos, (des)aprendemos e vivemos o mundo. Ou sem forma nenhuma.

    Convidamos você a nos acompanhar nesse percurso de regresso.  Nessa etapa inicial, desfaremos as nossas malas abarrotadas de assuntos para serem postos em dias.  E os nossos textos?  Já estão todos aqui: no armário de idéias da IL vulgo "Nossa Cachola". Enfileiradinhos à espera de serem forjados. E como coube a mim  sacar um assunto e torná-lo um desafio de escrita, senta que lá vem exercício de imaginação:
     Bem, um rumor tem se espalhado por aí de que uma estrelinha  no céu está para virar uma supernova. Quando esse dia chegar, dizem os apocalípticos, sua luz brilhará no céu como um segundo sol.  Rumores à parte, a ciência ameniza,  sua luz se assemelharia, no máximo, com brilho de uma lua crescente  (mesmo aparecendo durante o dia!).

    Mas, e aí? E se tivéssemos um segundo sol?

    Tema da rodada: Segundo sol
    Prazo para postagem: 03/02/11 até 17/02/11
    Votação: 18/02/11 a 21/02/11