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  1. Foi

    31/08/2013

    Pegou suas coisas em ritmo alucinante, contando cada segundo gasto em seus movimentos rápidos. Estava em início de fuga e tinha a certeza: estavam à sua procura.

    Suava, seus pensamentos velozmente incompreensíveis a qualquer um que pudesse se aventurar por eles, sua respiração agora inevitavelmente produzindo sons agudos em sua garganta. Não reconheceu-se ao avistar o espelho antes de ir. Mesmo assim reuniu forças, abriu a porta da frente e não sabia mais onde estava.

    Pulou o muro de concreto e aço, correu por entre as ruínas do museu carbonizado, cruzou os céus da cidade, passou dias nos ouvidos da sabedoria, festejou sob o teto quebradiço e até soluçou ao lado do pulsante partido. Não sabia do que se tratava tudo aquilo, porém.

    Tudo acontece num turbilhão de sentidos onde a fuga ainda é eixo principal. Não há lugar seguro. "És hoje a caça", repetia a si. A perseguição perseguia com afinco, e a sirene de sua violência era uma realidade hoje à noite. Escondia-se como rato na treva, sem a certeza da sobrevivência e com a agonia de não ter como dormir sabendo poder ser estripado pelas unhas da desgraça em meio a pesadelos incontroláveis.

    Chegou então a seu destino, mas não era o que esperava. Na verdade estava tudo muito confuso, pois nunca sentira-se tão em casa e sabia exatamente onde estava. Mas o antigo espelho encapado, presente em sua infância, não parecia ser seu objetivo concreto.

    Olhou-se. Acabou a perseguição.

    "E conta-se que o medo paralisante é o que de fato liberta a alma do mesmo".

  2. 3 comentários:

    1. Oi, Arthur! Há! Valeu pelo texto, ainda que um tanto confuso! Imagino que você buscou fazer algo mesmo desafiante, que pudesse ser mesmo chamado de "arte", inspirado no Artur Matuck, não? hehe.

      Então, pelo visto vc buscou fundir aqui os dois últimos temas, não? Medo e fuga! haha. Dois temas que têm muito a ver um com o outro, aliás...

      Apesar de não entender muito bem, a frase preferida minha no seu texto é esta: "Pulou o muro de concreto e aço, correu por entre as ruínas do museu carbonizado, cruzou os céus da cidade, passou dias nos ouvidos da sabedoria, festejou sob o teto quebradiço e até soluçou ao lado do pulsante partido."

      Nossa! Essa frase é uma epopéia por si só! Hahahaha. Demais! Muito poética, aventureira! Estimula muito a imaginação!

      Agora, não consegui me localizar, entender bem do que se trata a história. Onde e no quê começa e termina... Imagino esse texto mais como um poema que uma narrativa, certo? Apesar de escrito em prosa...

      Tb não entendi a citação final entre aspas... De onde é essa frase?

      O fato é que não gostei do final, ou ao menos não o entendi, rs.

      "Chegou então a seu destino, mas não era o que esperava. Na verdade estava tudo muito confuso, pois nunca sentira-se tão em casa e sabia exatamente onde estava. Mas o antigo espelho encapado, presente em sua infância, não parecia ser seu objetivo concreto.

      Olhou-se. Acabou a perseguição."

      Pareceu acabar muito... sem graça. Sem sal. Não sei... Acho que tinha fôlego e pano pra muito mais! Meio que assim quebra o clima...

    2. Arthur Cesar disse...

      Oi Maurício, como vai?

      Então, concordo plenamente com a questão do texto ser confuso heheh.
      Queria dar um ar de jornada fantasiosa mesmo. Mas creio que não cheguei a planejar algo desafiante não. Isso meio que veio de súbito. Tanto que eu confesso que não pensei em fundir os temas, mas pelo jeito deu certo! heheh

      Olha, para mim, a narrativa é sobre uma pessoa que está em fuga, mas não sabe do que está fugindo. A "Epopéia" simboliza uma jornada de autoconhecimento do indivíduo, como se ele entrasse em seu próprio ser e se conhecesse profundamente. Assim, no final, busquei simbolizar que ele estava fugindo de si mesmo, que tinha medo de si mesmo, então, ao olhar-se no espelho, ficou claro para a pessoa que a perseguição acabou. Ela atingiu um certo autoconhecimento.
      Tomei cuidado para não caracterizar o sexo dx protagonista para que o/a potencial leitor/a tenha mais facilidade de se projetar na narrativa.

      Eu também pensei em desenvolver mais o texto, mas acabei não tendo tempo, então foi isso que veio.

      A citação é imaginária também, busquei sintetizar um pouco a questão dos dois tipos de medo, pois acho interessante termos em mente que o medo não é uma coisa só. É tão abstrato como o Amor.

    3. Vivi disse...

      Gostei! Aliás, gosto quando colocamos a escrita à prova e arriscamos ousar. Creio que foi isso o que vi aqui. Desde o início, percebi o sentido de autodescoberta. A perseguição a esse eu labiríntico em fuga de si e dos seus medos. O enfrentamento apesar do medo liberta, foi o que entendi. Ótima participação!