Cresceram e cada um seguiu seu caminho. Barbosa se tornou médico; Oliveira advogado; Nogueira sucedido empresário do ramo musical; Otaviano escritor e Silva lutador de vale tudo. Todos bem sucedidos e viviam desde então quase sem contato, traçavam e-mail eventualmente.
Às quatro da manhã quatro celulares tocam. Uma voz nervosa repete insensatamente “Foi um acidente! Ela está morta!Preciso de ajuda!”. Barbosa coloca um cd no aparelho de seu carro e saí. Oliveira embarca no avião e abre seu pacotinho de confeitos de chocolate. Nogueira segura o volante de seu caro zero quilometro e coloca o fone de ouvido do celular, passando orientações para a equipe que trabalhava na gravação do novo astro. Otaviano fechou seu notebook e acionando o controle remoto que comandava toda a casa, fechou janelas e portas. Silva despediu-se de sua esposa grávida, beijando-lhe a imensa barriga de sete meses.
Os cinco parados em círculo observavam o corpo estirado no chão, trajando saia balonê, um delicado colar de pérolas e bracelete dourado, com uma marca vermelha no pescoço.
- O que faremos com isso? Dessa vez você superou todas as expectativas... Que droga!
- Podemos jogar no rio?
- Creio ser melhor enterrarmos no centro do bosque. Quase ninguém vai até lá...
- Há impressões digitais suas no corpo?
- Olhe bem...
- Vamos acabar logo com isso.
Foi até o carro e voltou com uma pequena serra circular, sacos plásticos, capas e luvas. Todos se equiparam. Enquanto dois cavavam a cova, os demais utilizaram a serra circular e colocaram as partes nos sacos plásticos. Algumas horas depois estavam acendendo uma fogueira no latão de lixo, onde queimaram capas e luvas.
Um leve bocejo foi emitido por Oliveira. Todos se entreolharam e caíram na risada. “Como sempre o mais fraco.” disseram em uníssono e caíram na gargalhada novamente, se unindo num abraço fraternal.
Dirigiram-se até o café mais próximo e pediram cafés grandes. Enquanto fazia círculos com a colher, ele olhou para os amigos e com olhos marejados disse: “Obrigado!”.
O belo loiro de olhos azuis balançou a cabeça e respondeu: “Somos uma irmandade, nossa aliança nunca será quebrada. Nunca dizemos não para um irmão”. O ruivo emendou: "Você faria o mesmo por qualquer um de nós...". Terminaram seus cafés e saíram, despedindo-se na frente da cafeteria, com fortes abraços. Não disseram mais nenhuma palavra e cada um seguiu seu caminho.
Mais um círculo se encerrava para eles e o segredo seria guardado até o fim.