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    Mostrando postagens com marcador Tema XXXVII - Círculo. Mostrar todas as postagens
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  1. Aliança Fraternal

    26/01/2010

    Bonos, assim eram conhecidos os cinco garotos da pequena Turquesa. Bonos (Barbosa/Oliveira/Nogueira/Otaviano/Silva) se conheceram no jardim de infância. Cresceram como unidade, eram um círculo formado pelos cincos elos inseparáveis. Assim, firmaram a aliança com sangue em uma tarde ensolarada. Sempre estariam disponíveis quando um precisasse dos outros. E isso realmente acontecia de vez em quando.

    Cresceram e cada um seguiu seu caminho. Barbosa se tornou médico; Oliveira advogado; Nogueira sucedido empresário do ramo musical; Otaviano escritor e Silva lutador de vale tudo. Todos bem sucedidos e viviam desde então quase sem contato, traçavam e-mail eventualmente.

    Às quatro da manhã quatro celulares tocam. Uma voz nervosa repete insensatamente “Foi um acidente! Ela está morta!Preciso de ajuda!”. Barbosa coloca um cd no aparelho de seu carro e saí. Oliveira embarca no avião e abre seu pacotinho de confeitos de chocolate. Nogueira segura o volante de seu caro zero quilometro e coloca o fone de ouvido do celular, passando orientações para a equipe que trabalhava na gravação do novo astro. Otaviano fechou seu notebook e acionando o controle remoto que comandava toda a casa, fechou janelas e portas. Silva despediu-se de sua esposa grávida, beijando-lhe a imensa barriga de sete meses.

    Os cinco parados em círculo observavam o corpo estirado no chão, trajando saia balonê, um delicado colar de pérolas e bracelete dourado, com uma marca vermelha no pescoço.

    - O que faremos com isso? Dessa vez você superou todas as expectativas... Que droga!
    - Podemos jogar no rio?
    - Creio ser melhor enterrarmos no centro do bosque. Quase ninguém vai até lá...
    - Há impressões digitais suas no corpo?
    - Olhe bem...
    - Vamos acabar logo com isso.

    Foi até o carro e voltou com uma pequena serra circular, sacos plásticos, capas e luvas. Todos se equiparam. Enquanto dois cavavam a cova, os demais utilizaram a serra circular e colocaram as partes nos sacos plásticos. Algumas horas depois estavam acendendo uma fogueira no latão de lixo, onde queimaram capas e luvas.

    Um leve bocejo foi emitido por Oliveira. Todos se entreolharam e caíram na risada. “Como sempre o mais fraco.” disseram em uníssono e caíram na gargalhada novamente, se unindo num abraço fraternal.

    Dirigiram-se até o café mais próximo e pediram cafés grandes. Enquanto fazia círculos com a colher, ele olhou para os amigos e com olhos marejados disse: “Obrigado!”.

    O belo loiro de olhos azuis balançou a cabeça e respondeu: “Somos uma irmandade, nossa aliança nunca será quebrada. Nunca dizemos não para um irmão”. O ruivo emendou: "Você faria o mesmo por qualquer um de nós...". Terminaram seus cafés e saíram, despedindo-se na frente da cafeteria, com fortes abraços. Não disseram mais nenhuma palavra e cada um seguiu seu caminho.

    Mais um círculo se encerrava para eles e o segredo seria guardado até o fim.
    Por: Cris Costa


  2. Ciclo Vicioso

    25/01/2010

    Por Lyani
    Café, jornal, metrô, elevador, computador, café. Ciclo vicioso.

  3. Dona Maricota, de imensa e redonda barriga, passeava na praça levando Fifi. Na lapela de seu casaco de tricô cor de rosa, um velho camafeu com pequenas argolas douradas envolvia o rosto de uma dama antiga. Seu chapéu de lona protegia o rosto do sol forte que fazia. Em seu pescoço, três voltas de pérolas falsas amareladas pelo tempo.

    As rodas de um carro verde que vinha em direção a praça pareciam pausadas no tempo devido a velocidade descontrolada. Uma freada brusca, um ganido alto e tudo era apenas uma grande roda vermelha com Dona Maricota no meio e pontinhos de pérolas esparramados ao redor, como o poá de uma saia rodada.




    oo00OO por Medéia OO00oo

  4. Os olhos. Estariam abertos ou fechados? Não era possível identificar. Parecia dormir acordado. A rua era o seu quarto.
    Dali, do seu canto, enxergava o mundo: um aquário no qual observava as feras que se digladiavam por conta de comida.
    Debaixo de um viaduto qualquer guardava objetos que lhe eram caros.
    O seu preferido? A última bolacha do pacote (aquelas com as carinhas sorridentes). A única que havia sobrado. Gostava dela, era sua amiga predileta. Tinha uma cara alegre, sorria para ele todos os dias. A coitada já estava até meio mofada. Mas, não se importava com isso.
    Ao olhá-la recebia a injeção de ânimo para enfrentar mais um dia de sol escaldante e uma lua minguante. Assim, como minguada era sua vontade de viver.
    O seu sorriso de bolachinha o alimentava. Ainda que a fome estivesse ali, presente, circulando no seu estômago como uma bola que quica cada vez mais, sem parar.
    Cheirava cola e via esferas e luzes e brilhos. Um arco-íris.
    Quem sabe um dia o atravessasse e encontrasse do outro lado um pote com moedas de ouro reluzentes. E um duende pegasse em sua mão e se pusessem os dois a valsar.
    O mundo, certamente, seria melhor ali.
    E quando chegasse esse dia não iria mais voltar.

    Por Rê Lima

  5. 37º Desafio

    10/01/2010

    Olá pessoal!

    Vamos abrir os trabalhos de mais um ano da IL.

    E para esquentar, o tema do 1º desafio de 2010 será:

    CÍRCULO

    Substantivo masculino
    1 superfície plana limitada por uma linha curva -- a circunferência -- cujos pontos são eqüidistantes de um ponto fixo -- o centro



    Prazo para postagem: 11/01 a 25/01/10

    Prazo para votação: 26/01 a 28/01/10


    Sejam bem-vindos!