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  1. Por: Cristiane Costa


    Um Ano. Doze Meses. 8.760 horas. Um ano é aproximadamente o intervalo de tempo que a Terra demora para dar uma volta completa em torno do Sol, conforme a ciência já descobriu.

    Os sentimentos humanos já são mais complexos, ou melhor, são inexplicáveis. A ciência busca esclarecer o que acontece com o ser humano em cada uma de suas emoções, mas, nada é muito convincente.

    Se Gabriel soubesse o quanto sua vida iria mudar a partir daquela noite, com certeza teria refeito sua agenda e mandado um de seus auxiliares para a reunião que teria.

    - Bom final de semana, Meninas! – disse Gabriel – se cuidem e não façam nada que eu não faria!!! – Ah!!!!E me desejem boa sorte!.

    Olhou para a ilha onde ficavam todas as secretárias e deu um sorriso tentador acompanhado de uma piscadela como de costume. Vários suspiros depois, todas as secretárias conseguiram responder em coro:

    - Bom final de semana, Sr. Archangelo. Boa Sorte!

    Gabriel entrou em seu Porsche e o potente sistema de som entoou “Hells Bells” da banda de rock AC/DC, música para preparar o subconsciente para o jantar daquela noite, onde iria se reunir com os executivos que representavam o Grupo V, da qual os patrões de Gabriel queriam adquirir duas estações de rádio.

    Aos trinta anos, Gabriel já ocupava o cargo de diretor de uma multinacional do sistema de comunicação. Carros, viagens e mulheres faziam parte do seu cotidiano. Tinha alcançado o topo, exatamente como sonhara em sua adolescência. Quem em sã consciência não desejou viver assim pelo menos um dia.

    Chegou ao restaurante no horário marcado e se decepcionou com as instalações, tudo era muito simples. Edoardo, parceiro de trabalho e seu melhor amigo desde a faculdade já aguardava-o na entrada.

    - Edoardo, Boa Noite!!! O pessoal da V deve estar ruim das pernas mesmo, dá uma olhada neste lugar...não beba nada que não seja aberto na sua frente pois caso contrário pode pegar uma virose. – disse Gabriel sorrindo, zombador.
    - Ainda é muito cedo para dizer se esta noite vai ser boa!! Quanto ao lugar eu pesquisei na internet e as críticas deste restaurante são ótimas, dizem que aqui se encontra o melhor parmegiana da cidade – respondeu o céptico Edoardo, não reconhecendo o humor nas palavras de Gabriel.

    Assim que o pessoal da V chegou, ocuparam a mesa reservada. Uma garçonete se dirigiu até a mesa e ofereceu a carta de vinhos. Depois de alguns minutos a jovem retornou, anotando os pedidos.

    - Traga-nos o melhor Cabernet Sauvignon que tiver, Anna. Esta noite promete ser longa – declarou Afonso, um dos executivos da V.

    Desde o momento em que desceu de seu carro, Gabriel só pensava em encerrar a negociação e comemorar mais uma vitória pessoal no mundo dos negócios. Tudo transcorreu exatamente como Gabriel havia planejado, o negócio estava praticamente fechado. Na segunda-feira o jurídico de cada grupo finalizaria o negócio. Foi quando chegou a hora de pedir a sobremesa.

    Rindo do comentário de um dos executivos, pela primeira vez Gabriel elevou a cabeça e olhou para a garçonete. Ela era simplesmente fantástica. Seus olhos eram verdes protegidos por longos cílios negros e seu sorriso indescritível. Naquele momento, Gabriel sentiu sua garganta seca, um nó no estômago e um calor inexplicável. Ouviu sinos e sussurros que pareciam pronunciar seu nome. Finalmente voltou para a realidade.

    - Anna, creio que Gabriel não vai querer sobremesa! – respondeu Edoardo – Hei!!! já está sentindo os sintomas da virose. Hei, Cara, tudo bem??? Tá engasgado...Parece que você apagou??.
    - O que??? Estou bem!!! – disse Gabriel meio sem graça - Quem é ela??? – falou assim que Anna se retirou.
    - Ora, Ora!!! Ela é a garçonete e se chama Anna... – mais uma resposta típica de Edoardo.

    E assim partiram. Curiosamente Gabriel ficou o final de semana todo em casa, não conseguia parar de pensar na jovem do restaurante. Como todo homem muito interessado em uma mulher saiu em busca de informações. Descobriu que Anna era a filha do proprietário do restaurante e trabalhava lá com toda a família, mesmo sendo formada em arquitetura. Começou a planejar um modo de conhece-la melhor e consequentemente em como conquistá-la. Sua primeira atitude foi começar a pedir almoço para oito pessoas, diariamente, para alegria das secretárias que comeram bem e economizaram durante aquelas semanas uma boa grana. Depois começou a ir pessoalmente ao restaurante. Mas ela levava o trabalho muito a sério, e só conversava alguns minutos com ele, assim, como com todos os outros clientes. Ela era inatingível. Ele era só mais um cliente do restaurante, apaixonado.

    Anna era o oposto de Gabriel, viciada em café, leitura, cinema e em jogar playstation com seu primo Guilhermo, alcançava a satisfação com as coisas simples da vida. E sempre que se permitia pensava em Gabriel.

    Um mês depois, Gabriel decepcionado com sua primeira derrota no campo pessoal, entrou em um café, estava desesperado. Planejava tomar um porre de café e depois ir para casa tomar um vidro de antiácido. Sentou-se num canto, bem escondido, só queria ler o jornal. Algum tempo depois, a garota dos incríveis olhos verdes do restaurante sentou a sua frente.

    - Não sabia que você frequentava este café??? – disse Anna

    Foi o primeiro passo, para horas de diálogo, para o mútuo conhecimento e para uma nova vida. Depois de muitos cappuccinos, combinaram de sair no fim de semana. Gabriel não precisou do antiácido naquele dia.

    Vários outros finais de semana vieram, e a companhia de Anna era tudo que Gabriel precisava. O simples fato de almoçar com a família dela ou ficar horas jogando vídeo game com ela e o inseparável e intrépido Guilhermo, fazia de Gabriel a pessoa mais feliz do mundo. Não é fácil explicar o que aconteceu com Gabriel no momento em que seu olhar cruzou com o de Anna naquela noite no restaurante, mas, muitos chamam isso de AMOR.

    Este mesmo sentimento com uma pontinha de orgulho preencheu o interior de Gabriel quando Anna entrou na igreja toda de branco e, com o maior prazer ele foi capaz de prometer fazê-la feliz para sempre.

    Somente as secretárias não ficaram tão felizes neste dia, afinal o belo solteirão não estaria mais disponível.

    Agora, acariciando o ventre crescido de Anna, grávida de sete meses, Gabriel já faz planos para a vida do pequeno Isaac. Um sentimento estranho que nunca esteve em seus planos na adolescência, nem naquela fatídica noite um ano atrás.

    O que Gabriel senti e deseja para o filho que vai nascer... a ciência ainda não é capaz de explicar.


    _______________***______________
    (a música “Hells Bells” citada no texto faz parte do álbum AC/DC Live de 1992)

  2. 4 comentários:

    1. Vivi disse...

      Sensacional, Cris. Gamei. A conquista é um intervalo de tempo para o reencontro. E prova que podemos acreditar no inexplicável.

      Beijos

    2. Medéia disse...

      Eu sempre adoro histórias de amor.
      Todas me deixam feliz.
      A Ciência do Amor é realmente inexplicável.

      Bjos

    3. Cris Costa disse...

      Olá, Vivi e Medéia!!!
      Obrigada!!!...
      Tentei criar algo diferente, mas, fazer o que se sou uma romântica inveterada...Não tem jeito... :-)
      Minha esperança é que com o tempo aprenda muito com vocês...

      Bjs

    4. disse...

      Por mais que tentemos, é difícil entender a ciência da vida. Seres que se encontram, se apaixonam e geram outros seres. O amor é lindo!!
      Parabéns...Rê