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  1. E se em um belo (ou até mesmo feio) dia, um telefone celular fosse parar em algum lugar no passado remoto onde não pudesse nem mesmo ser reconhecido como um aparelho?

    Já me perguntei como poderia isso acontecer. Talvez uma máquina do tempo, ou talvez algum desígnio divino, afinal Deus tem seu poder de voto em coisas estranhas assim.

    Digamos apenas que um celular, modelo mais comum e simples possível da Motorola, com a bateria totalmente carregada, tenha ido parar na Idade Média.

    Você deve estar se perguntando por que um Motorola. Apenas imaginei que, quem quer que fosse responsável pelo envio, poderia ter um estranho senso de humor e pusesse o toque “Hello Moto” para tocar.

    Claro que nesta suposição histórica estranha, para ter alguma graça extra, o celular teria que funcionar. A pessoa que o enviou ao passado teria que conseguir ligar para ele e tentar conversar com alguém. E, é óbvio, que este alguém teria que ser alguém importante e que pudesse de alguma forma fazer diferença no passado.

    Quem então poderia ser a pessoa escolhida para, na Idade Média, ouvir vozes de um pequeno e estranho aparelho? Claro, você já captou a mensagem em SMS, a Donzela de Lorena, Joana D´Arc. Afinal, a moça já ouvia vozes desde a mais tenra idade. Ouvir uma voz real que não estivesse em sua cabeça não seria assim tão estranho para ela.

    Então, finalmente, começaremos esta suposta história. Joana com apenas 16 anos, quase 17, pouco antes de se encontrar com o Delfim e conseguir seu estandarte e o comando das tropas francesas. Este é o momento ideal para tentar “conversar” com a moça.

    Lá está ela, em um dia não tão belo na cidade de Domrèmy, sentada sobre uma pedra, próxima de um bosque. Seu olhar perdido, procura ouvir “as vozes” que já lhe incitaram várias vezes a ir atrás do Delfim. O pequeno aparelho celular, depois de viajar no tempo, aparece na sua frente com um estalar de pequenos raios.

    “Mas o que será aquilo, meu Deus!” – pensa a jovem donzela.

    Talvez fosse a resposta das “vozes” as suas perguntas. Com certo receio, a garota abaixa-se e toca o objeto. Ele é frio ao toque e não parece perigoso. Pega-o nas mãos e sem querer toca algumas teclas o que faz acender as luzes. Ela é uma garota muito corajosa e não deixa cair o objeto, apesar de assustar-se um pouco.

    Analisa-o cuidadosamente de todos os ângulos possíveis e então ele acende novamente e fala com ela: “Hello Moto”. Ela reconhece a língua, apesar de não compreender o significado. E o objeto continua piscando e falando com ela.

    “Olá! Seja quem for, fale comigo” – diz a jovem.

    Assim ficam os dois, aparelho e Joana, por alguns minutos até que, acidentalmente, novamente, ela aperta alguns botões e faz o aparelho atender a chamada.

    Ela fica assustada por ele parar de piscar e falar, mas ouve um pequeno grito vindo dele. Aproxima o aparelho da orelha para escutar e ouve alguém falar com ela.

    “Aproxime o aparelho da orelha e fale comigo” – diz a voz. É claro que a pessoa com humor que enviou o aparelho fala a língua de Joana, senão nada disto seria possível.

    Joana, fazendo o que lhe manda a voz, aproxima mais ainda sua orelha do aparelho e diz: “São Miguel?”. Claro que ela supõe que a voz que fala com ela é uma das vozes que já havia lhe falado. Como é uma voz masculina (só um homem poderia pensar em algo tão absurdo quanto mandar um celular para Joana D´Arc), ela supõe que seja o Arcanjo Miguel que já havia lhe falado.

    A pessoa do outro lado da linha, esperta por natureza, responde: “Sim, minha filha. Ouve-me, pois tenho algo a lhe dizer”.

    Então começa a contar a Joana sobre todas as coisas que acontecerão. Sua entrevista com o Delfim, seu estandarte branco, suas vitórias em batalha e a coroação do Rei Carlos VII em Reims. Conta também sobre as coisas ruins que viriam depois, sobre a flechada que levaria em Paris, o recuo das tropas francesas e sua captura pelos borguinhões. Fala sobre sua prisão e sobre o processo por bruxaria que terminaria com sua execução na fogueira.

    Joana não emite um único suspiro, apenas ouve. E quando “São Miguel” termina sua fala e pergunta se o está ouvindo ela diz: “Inglês dos infernos, fazendo se passar por São Miguel”. Atira o aparelho ao chão e foge dali, mais determinada que nunca a procurar o seu rei e dar início a uma caminhada contra os ingleses.

    E lá no chão, permanece o Motorola enviado do futuro para tentar salvar da morte uma jovem donzela de Lorena. Depois de desligar a ligação e tentar ligar mais algumas vezes (“Hello Moto” tocando sem parar), o esperto que tentou mudar o passado desiste da ligação e pensa em para quem mandará o próximo aparelho celular. Desta vez um Nokia que não fale, que apenas toque uma música celestial em MP3.

    Ele realmente não aprendeu a não tentar mudar o passado. Talvez envie para Júlio César, ou quem sabe Cleópatra. Poderia ainda mandar para Alexandre, o Grande, ou para Napoleão Bonaparte. Tem que ser para alguém louco ou egocêntrico o suficiente que acredite que “Deus” está tentando falar com ele.

    por Medéia




  2. 6 comentários:

    1. Lyani disse...

      hehehe
      Cômico e muito interessante!
      Idéia super criativa, gostei bastante :D
      Bjosss
      Ly

    2. Débora Lauton disse...

      Hilário... adorei...

      beijos,
      Dé...

    3. Vivi disse...

      kkkk..(inventivo)³

      Bem bolado. E gostei do narrador-comentador. È Medéia ousando novos estilos. :D

    4. Cris Costa disse...

      Medéia,
      Muito interessante e divertido. Imagine que loucura seria...

      Parabéns!!

      Bjs

    5. disse...

      Medéia,

      Você se superou em termos de criatividade. Legal a sua idéia.
      Ficção misturada com fatos históricos. Muito bom!
      E se mandássemos um aparelho para o futuro, como seria?
      Loucura!loucura!loucura.
      bjs.