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  1. Havia poeira no ar, possível de ver através dos raios de sol que conseguiam transpassar a sujeira nas vidraças e lambiam o chão de madeira com tons de dourado. Cada vez que ela tirava uma caixa da estante, mais poeira subia pelo ambiente e a fazia espirrar enlouquecidamente. Mas ela tinha que continuar, enquanto ainda podia. Haviam se passado anos, e ela sabia que se as filhas descobrissem que tinha subido até o sótão atrás de um passado há muito esquecido, levaria um bronca daquelas. Mas não importava, porque sua busca valia a pena. Tirou outra caixa do lugar e quando abriu ficou paralisada. A mão a meio gesto do que ia fazer, a boca numa linha reta e a íris dos olhos dilatadas. Apenas um brilho tremulava nos olhos. Brilho este que escorreu pelos sulcos das bochechas que os anos haviam tolhido e parou no canto da boca deixando um gosto salgado de saudade. Com mãos trêmulas, saiu da imobilidade e pegou a máquina na mão. Sorriu, enquanto outras lágrimas corriam e pingavam na lente daquele simples objeto por onde as cenas mais bonitas de sua vida haviam sido capturadas e guardadas para a eternidade. Aquela máquina fotográfica fazia parte de sua história e não era justo que em seus últimos momentos ela ficasse ali, relegada ao pó. Por mais obsoleta que estivesse, queria-a ao seu lado. Amiga fiel, observadora atenta de momentos insubstituíveis.

  2. 5 comentários:

    1. Vivi disse...

      Sim, é da natureza humana internalizar experiências afetivas com relação a objetos afetivos. E a máquina fotográfica guarda, quase sempre, as melhores lembranças. Mesmo porque a máquina fotográfica remete ao sentido de extensão dos nossos olhos e da nossa memória. Bonita ideia, bonito texto. Bjs!

    2. disse...

      Artefato criado pelo homem e que permite registrar os momentos marcantes de nossa vida. A máquina fotográfica é a companheira que permite relembrarmos épocas vividas e que já não voltam mais. Parabéns pelo texto, Ly.

    3. Medéia disse...

      Sensível como vc, Ly...
      Eu ouvi ontem uma frase sobre fotografia, em uma novela.
      A personagem dizia que não precisava ser fotografada para guardar lembranças, porque a lembrança fica na memória e não em um pedaço de papel.
      Mas que a máquina ajuda, ajuda... como uma memória auxiliar onde guardamos momentos de nossa vida, abrindo assim, espaço para guardarmos mais coisas em nossa mente.
      Beijos, Ly

    4. Oi, Lyani! Apesar do atraso, aqui vou eu. Seu texto parece bem poético, lírico e bonito, mas não me parece mto natural... ficou meio forçado pra mim.

      Talvez se fossem fotos antigas ao invés da máquina, eu acharia mais aceitável... Ou então, pq nesse exato momento, ela foi buscar essa máquina? Faltou alguma explicação, acho...

      Tb não entendi pq foi tudo em um parágrafo só, hehe. Ajudaria a apreender o texto e lhe daria melhor fluidez se fosse quebrado em parágrafos.

    5. Lyani disse...

      Oi Maurício,
      Fiquei feliz com seu comentário, no meu outro texto vc ainda não comentou, mas gostaria, pois essas dicas nos fazem melhorar, com certeza :)

      Eu tenho essa mania de escrever tudo num parágrafo só, vc vai notar. As vezes, sai um texto maior, com outros parágrafos, mas na maioria das vezes escrevo pouco, e tudo junto rsrsrs

      É minha veia Saramaga hahahaha (pobre de mim rs)

      Mas esse texto em específico, eu fiz meio em cima da hora, pra não perder de participar e realmente não foi um dos melhores. Eu quis colocar que ela era uma fotógrafa e que sentia falta da amiga máquina, mas acho que não ficou claro né?

      No próximo vou melhorar, prometo! ;P

      Bjokas,
      Ly

      Acho que