Rss Feed
    Mostrando postagens com marcador Tema XLV - Dois. Mostrar todas as postagens
    Mostrando postagens com marcador Tema XLV - Dois. Mostrar todas as postagens
  1. Soma

    07/06/2011

    Eu não sei se quero os dois

    Ou se quero um

    Com pena de um dos dois

    Opto por ficar com nenhum

    Eis que surge o terceiro

    Que sorrateiramente

    Rouba a atenção

    Afinal, tudo é uma questão de soma

    Um com dois é três

    E assim ficamos

    Manteiga + {chocolate+ leite condensado}

    = Brigadeiro

    Guaraná e {Pipoca + um bom filme}

    = Cinema em casa

    Abraço + {Beijo2}

    =

    Cálculo improvável

    A lógica não resiste

    À complicada aritmética do amor.


  2. XLV Desafio
    Tema:
    Dois

    Por Lyani

    Ele parou finalmente de correr, tropeçando no chão molhado pela chuva e caindo de joelhos. Cerrou os pulsos e fechou os olhos muito apertados. A chuva batia-lhe nas costas como uma punição por seus sentimentos errados e desvirtuosos. Tinha diante de si dois caminhos e o pensamento de que desde que ela existia em sua vida, o um não era mais suficiente. Queria ser dois. Porque dois é um número natural. E tudo que mais queria é que aquele sentimento, tão puro e forte, fosse visto como natural. E queria ser dois, porque a dualidade de todas as coisas é uma noção importante na maioria das culturas e religiões e na China, o número dois é um bom número porque diz um provérbio que todas as coisas boas vêm em pares. E dois é quase a explicação de tudo no mundo: bem e mal, convexo e côncavo, direita e esquerda, norte e sul, pai e filho, amor e ódio... E diz a lenda que o povo cantonês gosta do número dois porque a palavra que corresponde a esse número na sua língua soa parecida com a palavra relacionada à facilidade. E na música, díade é um acorde ou intervalo formado apenas por duas notas e a harmonia musical baseada nela é chamada de Harmonia Prematura, porque foi o primeiro tipo de harmonia a surgir no mundo. E dois sempre será, acima de tudo, a soma de um mais um. A soma mais simples e mais complexa de todo o universo. E enquanto pensava nisso, ele quase sorriu. Mas os dois sons descompassados e tristes de seu coração também sabiam que o número dois, apesar de tudo, é um número primo. O primeiro e o único que é par. E os números primos são sempre solitários, contendo apenas dois divisores: ele mesmo e o número um. Teve ímpetos de gritar, mas apenas cerrou com mais força os punhos, erguendo-se em certa resignação e continuando o caminho a passos lentos e em silêncio. Sabia que, assim como os números primos, era o destino de ambos viver sempre ao lado um do outro, sem jamais poderem se tocar.


  3. Vazio. Nada se comparava a andar quilômetros e não encontrar ninguém.
    Já fazia muitas horas que ela caminhava e nem mesmo insetos esvoaçavam ao seu redor. As casas com as portas abertas pareciam convidar a entrar, mas ela já tinha percebido, depois de entrar em algumas dezenas, que ninguém estava lá dentro. Em toda parte parecia que as pessoas tinham resolvido ir embora deixando para trás tudo exatamente como estava. Geladeiras abertas, torneiras escorrendo água, máquinas ligadas, tudo continuava ali como se o responsável só tivesse ido ao banheiro ou até outro lugar pegar algo. Porém, ninguém voltava.
    Por onde andam todos? – ela se perguntava no início. Agora não se perguntava mais, pois cansara de conversar mentalmente com ela mesma. O cenário era desolador, como em um filme de ficção científica onde todos tivessem sido abduzidos e só haviam deixado ela para trás. Nem mesmo cachorros e gatos se viam nas esquinas e muros. Só ela fazia um ruído humano ou animal nas ruas.
    O sol já havia se posto bem no alto e agora abaixava lentamente, indicando a passagem da tarde. Ela não tinha pressa. Procurava alguém, qualquer alguém que estivesse na mesma situação que ela, desesperada por uma companhia. Quem sabe ela não era Eva a espera de um Adão para povoar a nova Terra? Talvez fosse um cataclisma que deixara tudo assim. Talvez fosse apenas um sonho tolo e logo ela acordaria, mas tudo parecia muito real.
    Quando pegou a estrada em direção a cidade vizinha o sol principiou a baixar no horizonte, mas ela só queria chegar lá, para descobrir se outras cidades passavam pela mesma situação. Desconfiava que sim, pois já tentara ligar para parentes e ninguém atendera. O calor no asfalto mantinha aquela sensação ainda mais surreal. Foi então que ela viu! No final da comprida reta uma sombra com formato humano.
    Talvez fosse apenas ilusão de ótica, por isto não correu. Apenas se manteve caminhando enquanto o sol dava lugar à lua e o vulto se aproximava cada vez mais. Caminhavam um em direção ao outro. Quanto mais se aproximava, mais nítido ficava o vulto. Aos poucos pode ver os cabelos negros e curtos, a calça jeans e a camiseta preta. Mas os detalhes do rosto ainda estavam ocultos pelas sombras da noite que chegava.
    Quando estavam a menos de 5 metros um do outro ela conseguiu enxergá-lo bem. Ele a olhava com a mesma expectativa que havia em seu olhar. Dois metros agora os separavam e eles já podiam ver detalhes: o cabelo crespo e loiro dela, os olhos castanhos claros dele, a sapatilha vermelha nos pés dela, os tênis com amortecedor nos pés dele, o vestido médio que envolviam as pernas dela em uma explosão de cores de verão. Eles agora podiam se tocar, mas nem mesmo trocavam palavras. Somente se olhavam como se enxergassem assombrações e não seres humanos. Quanto tempo eles estavam à procura de outra pessoa? Apenas uma bastava.
    E ali estavam eles. 
    Apenas dois em um mundo deserto e livre.

  4. 45º Desafio

    23/05/2011

    "A vida é amarga e doce. Por isso não há outra forma de descrevê-la senão captando esses dois sabores." - Jim Harisson

    O tema desta rodada é:

    Crédito: Foto

    Tema da rodada: 2 (dois)
    Prazo para postagem: 24/05 a 07/06/11
    Votação: 08/06 a 10/06/11