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  1. As Aventuras de Tininha e Casé na Terra da Espinhela Caída
    Episódio: ‘ Tininha e a Bruxa Zizi – A Futura Madame da Múrcia’

    Por Fernanda Soares

    Na terra da Espinhela Caída tudo vive ao avesso. Tininha a menina disléxica se perde de Casé o seu amiguinho míupe metendo-se na maior confusão. Tudo porque caiu no buraco das Letras Impossíveis – As mega espiães das crianças que não gostam de ler.

    Depois de tanto cair, Tininha se depara com um grande casulo. Era a casa da aranha desesperada. Ela gritou e gritou e gritou até Tininha compreender que aquele lado da Espinhela era mais caída do que ela imaginava.

    Caminhou muitas horas e quando já estava cansada, deparou-se com uma imensa folha que tomava sol na beira do rio. Quando se aproximou, a folha tentou fugir e Tininha a alcançou forçando-a a levá-la para o outro lado. A folha então, depois de muito alertá-la sobre os perigos do lado de lá a transportou.

    Chegando do outro lado, a menina disléxica se depara com a mata mais fechada que já viu em toda sua vida. Seu estômago roncou tão alto que os esquilos que por lá transitavam se assustaram e acabaram caindo no buraco do tatu. Tininha só não sabia dizer se estava com fome, medo ou dor de barriga de tanto comer o doce da vovó. Continuou sua caminhada mata adentro, pois tinha certeza que em terras como aquela, com certeza por ali alguém habitava. Tininha estava certa. Aquela floresta, aquelas habitações e todo aquele reino pertenciam a malévola Bruxa Zizi – A Futura Madame da Múrcia. Rezava a lenda que a Bruxa Zizi vinha de uma família de Sacerdotisas do mal e que por um feitiço mau feito havia caído na Múrcia e de lá transitado para as Terras da Espinhela Caída. Por muitas eras ela havia tentado tomar a Espinhela com intenção de unificar a Múrcia, terra de seu noivo ‘O Marquês Empruado’. Com muito esforço e ajuda de muitos amigos, o Conde Espinhoso havia conseguido banir Zizi para a Floresta do Mato sem Cachorro. E lá estava Tininha no reino da Dona Bruxilda Zizi. Ela apenas se preocupava se o termo bruxa significava algo mesmo ou não passava de brincadeira.

    A menina se aproximou de uma tapera e lá de dentro escutou alguém praguejar. Se aproximando, pode perceber que o morador era tão pequeno quanto ela. Tentou chamar e depois de muito estardalhaço foi atendida por um menininho muito sujinho. Esse menino explicou-lhe que ali não era como a Espinhela, que na Floresta do Mato sem Cachorro as pessoas não eram felizes mesmo que lá as coisas não fossem do avesso. Lá era tudo nos conformes, mas as pessoas viviam tristes, sujas, com fome e que o pouco que conseguiam tinham que pagar para Zizi, a Bruxa. Tininha ficou tão revoltada que até esqueceu que precisava de um caminho para voltar a Espinhela Caída.

    Refez-se da fome que estava sentindo com algumas raízes que as formigas e os esquilos haviam a ensinado tirar da terra, despediu-se do menino e seguiu floresta a baixo. No caminho, Tininha sentiu falta de Casé e lamentou a brincadeira dos dois no buraco das Letras Impossíveis. Se elas descobrissem que eles andaram mexendo em seus equipamentos ultra-secretos estavam fritos.

    Conforme andava, se deparava com alguém e escutava sua história, mais se revoltava. Estava doida para ver essa tal de Bruxa Zizi.

    Mal sabia ela, que a megera acompanhava todos os seus passos pelo junkebox que havia comprado no mercadomagico.com e que a cada passo em suas terras, o aparelho repetia em música tudo que ela estava fazendo.

    Música vai e música vem. Tininha chegou ao centro da Floresta e se espantou com os avanços tecnológicos que a Bruxa Zizi havia colocado ali. Taperas com aparelhos de som e comunicação, relógios avançados e toda a sorte de quinquilharias mágicas que se podia imaginar.

    De fato, era tudo muito estranho. Não se via ninguém feliz e tudo parecia tão sujo.

    Nesse meio tempo, um bebezinho se aproximou e falou que estava presa a mando da Madame Bruxa. Tininha primeiro pensou em rir. Quem em sã consciência era preso por um bebê? Só se deparou com a verdade quando apareceram mais bebês e estes a escoltaram. Tininha ia correr, mas alguém sussurrou lá de dentro que não fizesse isso, porque a fralda dos bebês tinha um poderoso veneno de causar nojo.

    Caminhou calada até o interior do castelo de Zizi. Tinha que arrumar um jeito de sair daquele lugar e libertar as pessoas da floresta. Só não sabia como!

    Uma escuridão tomava conta do recinto em que Tininha foi posta, quer dizer, foi trazida calmamente por carcereiros de fraldas. Ela estava com um humor daqueles! Como podia ser pega por situação tão ridícula? Afinal, Tininha a menina disléxica era famosa em desvendar casos com seu fiel parceiro Casé, o míope. O que faria pra mudar isso? Tinha que conhecer afinal quem era essa bruxa a que todos tinham medo. Precisava pensar...pensar muito.

    Da cela em frente à de Tininha algo se mexeu. Ela parou de andar de um lado pro outro e procurou prestar atenção ao barulho, até constatar que se tratava de um rato. Tininha o chamou e perguntou o que havia acontecido pra ele estar ali e o porque que ele continuava, já que pelo seu tamanho ele podia fugir. Depois de um tempo, o rato explicou-lhe seu terrível problema.

    O ratinho contou que Madame Zizi andava muito feliz nos preparativos de seu casamento com o Marquês Empruado. Contou também que a bruxa gostava verdadeiramente de seu noivo e ao contrário do que as pessoas pensavam, ela era até muito legal. Gostava de modernidades e de limpeza. Costumava transformar a floresta com tudo que existia de melhor no mercado fantasioso.

    Quando faltavam alguns dias para o casório, ela na ânsia de ficar mais bela para o amado, misturou várias poções e com a ajuda de um espelho mágico danificado trocou alguns ingredientes. O tiro saiu pela culatra e ao invés de ficar mais bela, Zizi ficou pavorosa.

    Desesperada, fez vir até ela todos os médicos mágicos que pudessem salvá-la de destino tão amargo. E nada se resolvia.

    A aparência da bruxilda era horrível. Parecia mais uma Madame Esqueleto. E o que diria seu marquês se a visse assim.

    Triste de sua vida, mandou chamar o Dr. Coruja e este tão cheio de sabedoria fez uso de suas magias. De esquelética Zizi ficou pior, surgiram várias cabeças de caveira. E de caveira em caveira, ficou terrífica. Fizeram de tudo, desde novas poções que só iam piorando, até uma foice em quem ela decepava um esqueleto e surgia outro.

    Irada e sem esperanças, Zizi que não era mais a Madame da Múrcia e sim o Monstro das Caveiras transformou o Dr. Coruja em rato e jurou que enquanto ela não voltasse ao normal, nada seria alterado. Fez também um poderoso feitiço no tempo do reino de seu noivo que o parasse e só voltasse ao normal quando ela adquirisse sua forma e pudessem se casar.

    E assim o rato ficava conjeturando meios e modos de desfazer aquela grande confusão.

    Tininha ouviu a história calada e nada pronunciou. Sua mente que ultrapassava os limites da dislexia, tentava bolar um mega plano para resolver tudo. Apenas perguntou do porque se a bruxa Zizi era boa pras pessoas da floresta, eles viviam tão infelizes e porque ela os explorava?

    O rato nada pode lhe explicar e disse que ainda estava averiguando os fatos. Tininha precisava de tempo pra pensar. Estava com uma batata quente na mão e ia resolvê-la.

    Depois de três dias conversando com o Dr. Coruja/Rato a menina pode captar maiores informações. Pediu que fosse levada até a bruxa infeliz e antes mesmo que chamasse alguém, surgiu um bebê carcereiro e a conduziu até a masmorra onde a horrenda ficava.

    Chegando lá, a bruxa não se mostrou, pois havia ficado com vergonha. Tininha enfim compreendeu que era observada constantemente pela bruxa através da Junkebox e daí soube que nada tinha sido por acaso.

    Por causa sua situação, Zizi havia optado por todas as mentes brilhantes de todos os reinos e como vivia em guerra com o Conde Espinhoso (que havia sido namorado dela), não quis que soubessem de seu estado e muito menos quis enviar o convite aos famosos investigadores. E assim, tramou pra que a brincadeira dela com o amiguinho Casé fossem próximo ao portal que as Letras Impossíveis usavam para saídas estratégicas.

    Tininha ficou surpresa com a revelação, mas lamentou que não pudesse ajudá-la tanto já que ela não era maga e sim uma investigadora. A bruxa ficou arrasada e pôs-se a chorar. Nesse mesmo instante, as milhões de caveirinhas choravam copiosamente fazendo um barulho ensurdecedor.

    Apavorada com a cena, compreendeu do porquê o rato ficar na masmorra. Como pensar com tantas cabeças chorosas?

    Uma lâmpada se acendeu em sua mente e ela perguntou a bruxa qual era o produtor das poções e também o motivo para explorar o povo da floresta. A bruxa surpresa, afirmou que deixara o povo sem recursos sim, mas que nada pedia a eles. Na verdade, nem prestava atenção dada à sua preocupação com seu visual tão feio.

    Depois de xeretar aqui e ali, Tininha chegou ao espelho danificado e olhou na parte de trás. Todos os objetos mágicos pertenciam ao mercadomagico.com e ela quis averiguar de quem era o site. Procuraram por longo tempo, até constarem que o site pertencia a um ex-noivo da bruxa antes sedutora. E a resposta se fez.

    Zizi quando era mil anos mais jovem, gostava de namorar um e outro porque era bela. Numa dessas muitas arrasadas de coração ela encantou um príncipe sapo de um reino muito, muito distante e como não quis se casar, ele prometeu que ela não se casaria com ninguém. Esse príncipe viscoso, herdeiro de grandes fortunas comprou o site que ele sabia ser o predileto da ex-noiva bruxilda e arquitetou o plano que seria triunfal quando desse certo.

    Por ser deveras vaidosa, ela nem se deu conta que o espelho era programado para ensinar-lhe poções invertidas. Cada vez que utilizasse a coisa ficaria pior. Depois de muito conversar com a bruxa e o rato, foi decidido que eles enganariam o espelho e fariam o feitiço inverso.

    Eureca! Foi o que respondeu o Dr. Coruja quando viu a bruxa bela voltar sua forma e ele voltar a seu corpinho rapinoso. Muitas bênçãos e alegrias foram pronunciadas. A bruxa quebrou o encanto de tristeza e de sujeira que seu povo havia recebido através dos produtos do mercadomagico.com e já de volta a sua beleza, tratou de voltar ao movimento seu noivo e todos da Múrcia.

    Eram momentos felizes. Tininha havia dado o buquê da noiva e acompanhava os votos do mago Poseidon no casório da Bruxa Zizi e de seu noivo O Marquês Empruado. Todos os animais haviam sido convidados e estavam em festa. A floresta resplandecia. Era hora de voltar pra casa. Tininha então, tropeçou no buraco do tatu e voltou pra Espinhela caída.

    Todos foram felizes para sempre. Menos a bruxa Zizi e seu noivo o Marquês Empruado, porque a bruxa tinha um gênio do cão.

    FIM


    Moral da História: A tradição oral nos mostra que desde que o mundo é mundo o homem sonha e passa adiante aquilo que vê e acredita. Nossos valores, dotes culturais e aprendizado nos fez diferenciar o real do imaginário.
    Essa história que coabitou meu cérebro e que agora passo adiante são fragmentos da menina que fui e da mulher que sou.
    Todos nós temos nossos dons, nossas virtudes e defeitos. Acho que não preciso citar que muitas vezes seguir o exemplo da bruxa vaidosa é furada...rs
    Bem, é isso. Espero que mesmo brigando muito, a Zizi esteja curtindo seu casamento com o seu Marquês e que me apresentem muitas outras para dançarem juntas em minha mente e em meus sonhos.

    ®Todos os direitos reservados

  2. 12 comentários:

    1. Vivi disse...

      Fê,
      Lembrei da "hora do conto" da minha escola de minha infância. Até hoje gosto de livros infantis porque a narrativa imaginária é bem fluente.

      A abordagem de uma personagem disléxica foi original. Gostei bastante de seu texto e de seu relato associando-o a uma parte significativa de seu passado e presente.

      Um detalhe ficou no ar para mim...porque Casé e Tininha não gostavam de ler?

      Beijos

    2. Fernanda disse...

      Que bom que te fez lembrar sua infância. Acho que é um pouco de saudades da aurora da vida...rs
      Não é a tôa que meu poema predileto é 'Meus oito anos'
      A infância é uma fase bárbara

    3. Fernanda disse...

      Ahhh sobre eles não gostarem de ler, vai ficar pra uma outra história....rs

    4. Medéia disse...

      Sua história tbém me lembrou minha infância.

      É uma história meio "Alice no País das Maravilhas" né?

      Fiquei curiosa prá ler as próximas aventuras...

    5. Fernanda disse...

      É verdade, eu quiz exacerbar o imaginário...rs
      Não tanto 'Alice' mais tão fantasioso como todos os desenhos. Com a dirença é que eles podem se estrepar como na realidade...rs
      Eu tenho vontade sim de escrever novas aventuras deles dois, mais cada desafio é um desafio e no próximo a história será outra...rs
      Espero que tenha gostado de embarcar nesse buraco do tatu junto a surprendente Tininha, que consegue ultrapassar suas barreiras

    6. Primeiro post! Bacana. Tirou boas risadas aqui (ainda to pensando na Jukebox rsrs) e explorou de um jeito bem cativante essa estética infantil. Pelo visto vem um série por aí?

    7. Cris Costa disse...

      Fê, adorei sua história, muito criativa. Parabéns.

    8. disse...

      Fernanda,

      Somente agora me permitir ler os textos, por isso não havia feito o comentário antes para não me deixar influenciar com tantas idéias maravilhosas.
      Achei muito bacana o enfoque que deu ao seu texto. Lúdico, cheio de aventuras, humor, personagens cativantes. Parabéns!! Merece uma continuação. Abs, RÊ

    9. Andréa disse...

      Fê,
      Qdo começo a ler um texto, normalmente faço leitura dinâmica e pego as principais partes. Mas com o seu, nao tinha jeito... Como pular estas expressões incríveis, como "a fralda dos bebês tinha um poderoso veneno de causar nojo", e tantas outras que quase me fizeram fazer pipi na calça de tanto rir?
      Parabéns pela criatividade. Amei todos os personagens. Qdo escrever um livro inteiro, me avisa tá?
      Bjs
      Andréa

    10. Fernanda disse...

      Oi Gente,
      Gosto de responder os comentários pra vcs saberem como é importante suas opiniões sobre o que escrevo.
      Muito obrigada por terem lido as aventuras da Tininha e mais ainda obrigada pelos elogios.
      Me sinto meio canastrona no meio de meninas que escrevem tão bem, mais minha imaginação não pára mesmo...rs
      Um beijinho em cada um e mais uma vez obrigada

    11. Cris Costa disse...

      Oi Fê...
      Como assim "canastrona"???!!!!
      Menina, Você escreve maravilhosamente bem e ainda tem a seu favor uma imaginação abençoada. É uma honra para mim fazer parte deste grupo incrível que compõe a incubadora. Continue sempre assim.
      Seu texto ficou d+.
      Bjs

    12. Fernanda disse...

      Oi Cris,
      Obrigada querida! Ah 'canastrona'é uma expressão que minha avó brincava falando dos chamados 'fracos abusados'...rs...sabe aquele anão metido a parrudo?...rs
      Mais tenho certeza que participando do incubadora vou melhorar minha forma de escrever e dar maior sensibilidade a minha imaginação
      beijão