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  1. Esperando...

    04/09/2008

    por Medéia

    Ele entra na sala e a vê sentada ali. Pernas cruzadas, sapatos baixos de cor clara, legging preta e bata branca. O olhar dela se desvia da parede e vê quando ele chega. Calça cáqui e sandálias com blusa de algodão cru.
    - Olá – ele diz.
    - Olá – ela responde por educação, demonstrando não querer conversar.
    O silêncio reina entre os dois.
    A sala é de cor clara, enfeitada por copos de leite amarelos e pinturas marítimas. O sofá em L verde musgo, onde cada um se senta num canto.
    Uma música ambiente se ouve. Calma e tranqüila como uma canção de ninar.
    Além da porta por onde ele entrou há outra porta na sala.
    - Você faz idéia do que há atrás daquela porta? – pergunta ele, tentando uma conversa novamente.
    - Não – responde ela – Só me pediram para esperar aqui.
    - E alguém já veio te orientar?
    - Não, cheguei um pouco antes de você e até agora ninguém apareceu.
    Novo silêncio na sala. A música ambiente parece ter aumentado ligeiramente.
    Ela cruza e descruza as pernas demonstrando nervosismo. Ele esfrega uma mão na outra tentando se manter calado.
    Ela descruza as pernas e se inclina em direção a ele perguntando:
    - Por que você acha que estamos aqui?
    - Não sei, imagino que queiram algo de nós.
    - Eu não conheço você de algum lugar?
    - Talvez, seu rosto é bastante familiar para mim.
    Novo silêncio entre eles. O som diminui e eles ouvem uma voz feminina falando com eles. Palavras gentis e amorosas, algumas vezes canções, em outras apenas palavras de encorajamento. Algumas vezes se ouve uma voz masculina, porém mais baixa e mais constrangida ao falar.
    Os dois se olham estranhando, mas permanecem em silêncio ouvindo.
    - Quanto tempo será que ficaremos aqui? – ela pergunta curiosa e inquieta.
    - Não sei, mas sinto que não muito mais. Alguém nos virá buscar logo. – ele tenta encoraja-la, mas sem muita convicção.
    Depois de um longo silêncio os dois ouvem a mulher novamente. O som que ela faz os deixa nervosos. Ela parece sofrer. Gemidos e gritos, e a voz masculina a encorajando.
    A ansiedade os faz levantar e andar pela sala. Quando se dão conta, suas mãos estão entrelaçadas e eles apenas esperam.
    A porta então se abre e uma luz surge muito brilhante e forte.
    Os dois, de mãos dadas ainda, são impulsionados juntos para a porta. Um ar frio os faz tremerem juntos e o medo do desconhecido aumenta. Mesmo assim, eles seguem em direção à luz que os cega e não lhes permite ver nada. Sem perceber os dois gritam enquanto seguem sua travessia.
    A vida dos gêmeos de Ana Paula e Marcos começa então naquele dia 04 de setembro de 2008, dia do seu nascimento.

  2. 6 comentários:

    1. Vivi Bastos disse...

      Medéia, o que dizer de seu texto?

      Exala originalidade. Os diálogos são envolventes e reforçam o clima de suspense. A expectativa vale o desfecho da história.

      Aplausos!

      Beijos

    2. Cris Costa disse...

      Medéia...
      Incrível o desfecho de sua história, eu já estava começando a roer minhas unhas querendo saber o que estava acontecendo, foi absolutamente demais.

      Parabéns!!

      Bjs

    3. Lyani disse...

      Uau!
      Todo mundo me surpreendendo, também não esperava por esse final, mas ficou lindo!!!!
      PARABÉNS!
      Bjos

    4. Fernanda disse...

      Bom texto...Gostei da forma que levou a história!Parabéns!

    5. Robson Ribeiro disse...

      Medéia, gostei muito. Parabéns!

      Vocês todas são magníficas!

      Seu texto me inspirou um poema, que publicarei em meu blog.

      Um abraço!

    6. disse...

      Medéia,

      O seu texto é bastante criativo.
      Gostei bastante da aura de suspense do texto que revela o segredo da espera só no final.
      Parabéns!!
      Bjs...Rê