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  1. por Medéia

    Os cabelos loiros e cacheados contrastavam com o vestido azul rodado e os olhos de Alice. Seus pés protegidos pelo sapato boneca preto não andavam, mas sim corriam sem um destino certo.

    As tardes de Alice eram sempre assim, correndo pelo bosque ao lado de sua casa. Atrás de borboletas ou de coelhos, a menina divertia-se como nunca, inventando histórias e brincadeiras.

    O quente dia de verão fazia as folhas verdes das árvores afrontarem brilhantemente ao céu azul vivo com poucas nuvens brancas e fofas.

    Foi então que ela o viu. O pequeno ser azul com chapéu cônico e azul claro combinando com as calças. Ele corria serelepe como ela atrás de um coelho branco.

    Alice não sabia o que via. Tinha a aparência de um gnomo, mas sua cor azul brilhante não se parecia com nada que a garota houvesse visto, nem mesmo em sua imaginação. Então ele pulou atrás do coelho dentro de uma caverna escondida por arbustos.

    Ela não podia ficar para trás, sua curiosidade não lhe permitia. E antes mesmo de pensar nas conseqüências, lá estava ela descendo por um escorregador no interior de uma caverna que nunca soube que existisse.

    Com alguns arranhões e pó por todo o corpo, Alice chegou a um outro bosque completamente azul.

    Seus olhos se arregalaram e ela não podia acreditar no que via. As árvores tinham o tronco de um azul muito escuro, enquanto as folhas eram de um vivo azul claro. Gramado, terra e pedras eram de tons azuis diferentes, uns mais claros e vivos, outros mais escuros e opacos.

    Borboletas de um azul arroxeado voavam rápidas por ali. E pequenos animais azuis corriam entre os ramos de alguns arbustos. Além de Alice a única coisa que destoava daquele mundo azul, era o coelho branco nas mãos do ser que Alice seguira.

    O olhar do pequeno ente era tão assustado quanto o de Alice. E quando ele pareceu se aproximar, a menina correu de volta para a caverna de onde veio. O desespero batendo em seus calcanhares, ela escorregava tentando subir a rampa por onde descera, mas seus pés não lhe permitiam sair do lugar. Quando sentiu uma pequena mão em seu ombro, seus olhos escureceram e o medo cobrou seu dízimo fazendo-a desmaiar.

    Quando então acordou, estava deitada logo na entrada do bosque, muito perto de sua casa. Mas onde estava o mundo azul? E o pequeno ser que seguira? Ao seu lado apenas um coelho branco cheirava sua mão.

    Alice então se perguntou se sonhara, adormecida no gramado. Resolveu voltar para dentro de casa, lembrando-se claramente do estranho mundo azul.

    Ao colocar sua mão no bolso sentiu a delicadeza de uma pétala. Tirou com cuidado a flor que se escondia nas dobras de seu avental. E sua surpresa aumentou - era uma rosa azul do cabo até a ponta das delicadas pétalas perfumadas.


  2. 6 comentários:

    1. Lili disse...

      Muito bonito Medéia. Um sonho azul... Lendo seu texto fiquei visualizando os troncos das árvores azuis, o gramado, a terra...Linda criação! Adorei.

    2. Elisandra disse...

      Uma aventura como nenhuma outra....amei....beijokas elis...Parabéns!!!!!!

    3. Robson Ribeiro disse...

      Medéia, muito bom.

      Fiquei deliciado com o texto, que deixou um gostinho de quero mais.

      Assim como a Lili, fiquei imaginando o cenário com as árvores e flores azuis...

      Parabéns.

    4. Cris Costa disse...

      Menina Medéia,

      Adoro seus contos pela riqueza de detalhes, sempre impecável.
      Fazendo coro aos comentários anteriores, seu texto conseguiu me transportar até seu "mundo azul".
      Parabéns!
      Bjs

    5. disse...

      Medéia,
      Seu texto evoucou meus tempos de infância quando tive contato com ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS.
      Você acrescentou a sua visão anil sobre o conto infantil.
      O texto ficou interessante.
      Parabéns!!

    6. Vivi disse...

      Seu texto é um sonho! Remonta aos tempos de infância mesmo e kidultice também...hehehe
      Azul é uma cor pertinente para o universo de Alice.

      Beijos