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  1. Menino ou Menina?

    31/10/2012

    - Vai ser um menino!

    E a partir daquele minuto, aquela frase se tornou uma verdade tão absoluta que esta mãe não precisou de ultrassom para provar nada. Comprou todas as roupinhas mais lindas nos tons verde e azul, enfeitou o quarto da criança no mesmo tom, comprou carrinhos e brinquedos de menino e escolheu até o nome. Só um, sem outras alternativas, porque ela tinha certeza absoluta de que era um menino. 

    Chegava até ficar com raiva quando sua sogra e inclusive sua mãe lhe diziam que estava enganada, que era melhor ir tirar a prova, porque aquela barriga que crescia era uma barriga de menina! Veja lá se isso existe, barriga de menina! A mãe pensava e continua a sonhar com seu menino e a comprar-lhe coisas em azul e verde. 

    - É uma linda menina! 

    Foi a frase que ouviu depois de 17 horas de trabalho de parto. O que? Como assim? Uma menina? Eu tinha certeza absoluta que era um menino. Ficou indignada, mas quando o médico colocou aquele bebe rosado e gorducho e menina no seu colo, tudo fez sentido. Achou um nome na hora e não se importou em trocar todas as roupinhas e a decoração do quarto. Ela era uma linda menina, que quando crescesse um pouquinho iria quebrar o braço fugindo da mãe que queria lhe pôr um vestido e que levaria pra sempre um lado meio moleca.

  2. 3 comentários:

    1. Medéia disse...

      eh eh eh
      Quando engravidei da Anne, eu tinha quase certeza que era menina, mas tinha receio de "pensar em voz alta" e deixar um possível "menino" traumatizado.
      Mesmo assim, eu queria uma menina para criar como moleca... nada de lacinhos, fitinhas e cor de rosa.
      E parece que está dando certo...

      Este tema e os textos (principalmente o seu, o do Maurício e da Rê) me fizeram relembrar os bons momentos da minha espera pela Anne.

    2. Vivi disse...

      Essa temática parental imperou no imaginário de nossos escritores! Aproveitar o enxoval azul e o verde na menina é bem mais assimilável do que a rosinha no menino. Por esse lado, a inversão dos fatores pegaria o leitor pelo aspecto inesperado. Embora eu tenha querido ver essa inversão, a precisão da realidade, do que comumente acontece fixou-se bem ao texto. Gostei da lembrança do ultrassom, isto é, do fato da mãe não querer fazer o procedimento, pois a ausência dessa menção poderia comprometer a verossimilhança da história. E o nome da nenê poderia ter sido uma causador de conflito na história também, uma vez que há informação de que a mãe escolhera um nome para o menino conjecturado. O final achei muito bom. A obsessão da mãe por um menino fica bem nítida e um tanto alarmante.
      No mais, é sempre ótimo encontrar a sua essência no texto, Ly

      Beijocas

    3. Aqui estou eu de novo tirando o meu atraso de comentários!

      Lyani, achei seu texto bonito e expressivo, apesar de ser quase igual ao da Renata Milan (apesar de contrário em relação à ordem menino-menina na expectativa-realidade). Você leu o texto dela antes? Por isso, ele me pareceu meio repetitivo. Inclusive, a moral da história parece a mesma: "não importa que o filho não seja do sexo que espero, vou me adaptar imediatamente e amá-lo do mesmo jeito".

      Também não entendi por que a protagonista achou e pronto que seria um menino desde o início. Ficou sem justificativa nenhuma isso e, portanto, inverossímil para mim. Ok, pode até ser que isso aconteça na realidade, que simplesmente isso ocorra para algumas (ou várias) mães, mas mesmo assim faltaria alguma indicação crítica da narração sobre o absurdo dessa situação. Senão dá (para mim) a impressão de distração da autora.

      ==

      De todo modo, o ritmo foi interessante. A disposição espacial das frases com travessão declarando a hipótese do menino primeiro, e a verdade da menina depois, cada uma depois explicada pelo bloco de texto, ficou bonita. Mas nesse caso, não valeria a pena juntar os segundo e o terceiro parágrafos em um só, obtendo-se assim melhor simetria? Ou talvez essa assimetria fique mesmo melhor?...

      Ah, claro, há uma outra inovação em relação ao texto da Renata Milan: a sugestão de que a menina que nasce acaba ganhando características de menino. Mas, neste caso, eu enfatizaria ainda mais isso. Por exemplo, não um lado só "meio moleca". Parece muito pouco para causar impacto no leitor.

      O que acha? ;) Bj e desculpa a chatice, rs!