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  1. Palavra proibida

    21/09/2008

    A verdade é que ela não entendia bem a relação que ele forçosamente
    queria fazê-la entender.
    Que diferença havia entre os dele e os dela?
    Só conseguia olhar para o dedo em riste que para ela apontava.
    Os demais dedos se voltavam para o seu acusador.
    Pouco lhe importava se é inveja, luxúria ou gula
    Se sete ou se mil
    Não lhe interessava rotulá-los.
    Não havia necessidade de serem revelados.
    Não dava importância às nomenclaturas.
    Mas ele insistia em identificá-los e dar-lhes nomes, um a um
    Aí residia o seu prazer: descobrir o que não está para ser descoberto
    Seria possível deixá-los quietos?
    Só para o interesse de sua dona?
    São meus, guardo-os somente para mim, pensava ela
    Que mania essa de tentar qualificá-los em gradações de importância!
    São todos iguais, meu querido.
    Tanto os meus quanto os seus
    E se havemos de pagar por isso
    Não aponte esse dedo para mim
    No final, cada um pagará a sua conta
    Levaria os dela dentro de si
    Não tinha a louca necessidade de ostentá-los como troféus
    E assim continuaria a viver sua vida entre os pobres mortais.

    Rê Lima

  2. 5 comentários:

    1. lyani disse...

      Muito bom Rê,
      o poema ficou ótimo! Gostei demais!
      Parabéns!
      bjos

    2. Robson Ribeiro disse...

      Rê, como é difícil viver essa vida sem interferir e sem sofrer interferências.
      E as importâncias das coisas, dos atos, quem atribuem somos nós mesmos, seguindo um critério muitas vezes absurdo, arbitrário.
      Gostei muito do seu texto.
      Parabéns!

    3. Rêzinha,
      Gostei bastante! Me passou um pouco de rebeldia...rs...gosto de coisas assim diferentes e se são textos, gosto mais ainda...rs
      beijão

    4. Cris Costa disse...

      Menina Rê!
      Não vale!!! É muito crueldade para essa que vos fala.
      Adorei a passagem: "Só conseguia olhar para o dedo em riste que para ela apontava. Os demais dedos se voltavam para o seu acusador.".
      Seu texto ficou forte, com muita personalidade.
      Adorei...Parabéns!!

      Bjs

    5. Vivi Bastos disse...

      Carácolis,

      Reconheço a fala do personagem como minha!!! Eu assumo total responsabilidade...

      Abordou bem a relação entre a questão do pecado ser algo de foro íntimo, mas que sempre se insinua no público.

      A construção do pensamento que visa a resistência a qualquer ataque hipocritamente denunciador é nítido e me fez constantemente me lembrar do notório dito "Tire primeiro a trave do teu olho".

      Gostei muito!!!