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  1. O Menino

    22/09/2008

    (repente)

    Por Fernanda Soares

    Num dia de primavera,
    Belo e cheio de cor,
    Entrava o menino em casa
    Com olhos marcados de dor.


    Seu corpo era franzino
    Típico da pouca idade
    Queria ser homem forte
    Pra disfarçar a orfandade.

    Vivia a brincar com todos
    E traquinagens fazia
    Ria-se todo garboso
    Quando alguém lhe descobria.

    Mais nesse dia não ria
    E de tristeza se amofinava
    Quando voltava pra casa
    O pesar continuava.

    Sua alegria se fora
    Como o bater de asas ligeiras
    Sentia-se arrasado
    Pela verdade estrangeira.

    Que verdade era essa,
    Que lhe modificara o humor
    Quando soube na escola
    A razão de seu temor.

    Foi na aula de catecismo
    Dito pelo professor
    O menino descobriu
    Que era um grande pecador.

    Mais como podia ser,
    Procuraria na bíblia
    Pecador porque motivo?
    Só causava alegria.

    E confuso ficou
    Vários dias passaram
    O menino tão preocupado
    Todos lhe perguntaram.

    Porque vives triste menino,
    Apaixonado ficou?
    Nem mais traquinas és
    Será que cresceu ou se adoentou?

    E de tantas perguntas
    A titia se apiedou e o levou
    Debaixo de suas saias com teimosia
    O médico o retirou.

    Muito cabisbaixo
    Respondeu ao doutor
    Seu mal era o pecado
    Isso só lhe causava dor.

    E riu-se o homem
    Dada tanta inocência
    Explicou-lhe que era pecado de todos
    E se satisfez com a nova aparência.

    E correu o menino pros campos
    Já livre do pesadelo
    Não queria saber de mais nada
    Nada que fosse constrangê-lo.

    E os dias continuavam bonitos
    Alegres e primaveris
    Às vezes ainda via o menino
    Com a bola, sua imperatriz.

    E de alegrias se devem
    Graças à linda infância
    Fase boa e curta,
    Que só é atrapalhada pela ignorância.

    Esse menino bonito
    De tantos beijos da titia
    Um dia irá crescer
    E terá uma vida sadia.

    Daí será mais um pecador
    Neste mundo de tanta grandiosidade,
    Mal não há de fazer e nem sentir
    Mais terá que pecar, pra dar continuidade.


  2. 6 comentários:

    1. Lyani disse...

      Nossa, que lindo Fê!
      De todos os que já li seu, esse é meu favorito!
      Gostei muito mesmo!
      bjosss

    2. Cris Costa disse...

      Fê!!!
      Menina, quase caí da cadeira quando li seu texto!
      Que grata surpresa!!
      Foi delicioso ler, rimas perfeitas. Quanta criatividade.
      Ai que invejinha!!! (ops!! acabei de pecar!) ;-)
      Parabéns!!! Adorei.

      Bjs.

    3. Robson Ribeiro disse...

      A cada texto uma surpresa!

      O IL é uma aventura estética!

      Fernanda, parabéns!
      Muita sensibilidade, muita criatividade!
      Gostei demais mesmo.

    4. Vivi Bastos disse...

      Fê, nossa trovadora

      Gostei bastante pois ficou bem musicalizado. Ainda que o repente seja um estilo de improviso, vê-se o cuidado na estrutura criativa do texto maximando o potencial da narrativa.

      Agora, para termos o tom do repente tínhamos que ter acesso a versão gravada...rs
      Brincadeirinha...rsrs

      Parabéns e concordo que o progresso em seu estilo de escrita se faz nítido nesse texto.

    5. disse...

      Fê,
      Seu texto é leve e aborda o tema por uma perspectiva menos densa.
      Conseguiu tratar a temática de forma amena e despretensiosa, e atinge o objetivo.
      Parabéns,

    6. Guilherme disse...

      parabens fernanda, q lindo versos,tds bem rimados e muita criatividade na criação da historinha.Maravilhoso,parabens novamente