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  1. Cor-de-rosa

    23/10/2012

    Ali, deitada na maca, sua mente divagava por bonecas de pano e porcelana. Casinhas cor-de-rosa, mobiliadas com lindos móveis em miniatura. Vestidos com babados e lacinhos. Era como se ela estivesse vendo o mundo através de óculos cor-de-rosa, de verdade.
    Já estava ali há alguns minutos e a espera era quase torturante. Durante meses observara sua barriga crescer e arredondar, a espera pela revelação do sexo do bebê terminaria hoje.
    A médica entra na sala. Toda de branco, para ela é quase a visão de um anjo, o anjo das revelações. A mão do marido na sua a conforta e ela a aperta em expectativa. É agora. A geléia transparente e gelada não a incomoda em nada, é apenas uma pequena parte do processo. O coração do bebê está batendo alto, como sempre. E, a cada vez, ela acredita ser o som mais lindo do mundo.
    Finalmente a médica pergunta se estão prontos, a resposta vem como acenos afirmativos e olhos brilhantes de entusiasmo.
    O mundo cor-de-rosa se transforma em um mundo azul-bebê, cheio de carrinhos, ursinhos de pelúcia, roupinhas de super-heróis. Um óculos azul, dessa vez, mas tão maravilhoso quanto o cor-de-rosa.

  2. 4 comentários:

    1. Medéia disse...

      Que fofo, Rê!
      Há um ano atrás eu estava neste mundo cor-de-rosa e é assim mesmo...
      Lindo!
      Voltei no tempo... obrigada!

    2. Vivi disse...

      Rê, lembrei-me de uma menina que, quando grávida, disse que, se nascesse menino, ela o mandaria para adoção. Pois, o enxoval era todo rosinha. E, então, nasceu um menino. Não sei o fim da história, pois não a vi mais. Tomara que tenha sido estupidez de momento. Quanto ao seu texto, ele reflete bem a beleza da adaptabilidade do coração. Afinal, independente do sexo, meninos e meninas devem ocupar o mesmo espaço no coração dos pais e das mães, e até mesmo em outros terrenos. Agora: Eu acho estranha essa divisão de gênero por cor. Reconheço a tradição, mas, pôxa, que as cores sejam de todos!

      Beijocas

    3. rs, vc publicou antes, mas juro que eu tava planejando escrever sobre o mesmo tema que você... (pelo visto foi sincronia nossa!) agora tá publicado, haha -> aqui

      acho mto legal esse estilo "fofo explosivo" com que você escreveu, rs.

      eu só estranhei um pouco essa transformação abrupta da mamãe. ao menos um pouquinho de espanto para a transição achei que ela poderia ter... hehe

    4. Lyani disse...

      Oi Rê, que texto fofo e que transmite uma realidade, porque eu não tenho essa experiencia, mas imagino que é bem assim com mães e pais! :)
      Mas tb senti como o Maurício, que ficou faltando o espanto.
      Bjokass!