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  1. Eu me sinto inútil, vida parada,
    As notícias me aguardam no jornal.
    Mas agora vivo numa cruzada,
    Porque olhos baladeiros dançam mal!

    Amada família acode. Relaxa!
    Dizem os editores preocupados.
    Até rede sob corda bamba me acha
    Aliviado, porém em pedaços.

    Médicos, enfermeiros e auxiliares...
    Tantas mulheres que a língua machista
    Esconde o cuidado nestes lares

    Desculpe pela impaciência mista
    Com ondas de privações destes mares
    Sei que há náufragos pesados na lista.

    Doutores e doutoras, obrigado,
    Toda a turma da passarela branca!
    Da moda que não passa, do enfiado
    Paciene impaciente cuidar.

    Só queria saber por que instalar
    Uma torneira vermelha no braço,
    Ficar longe de casa, presidiário,
    A vida resumida num armário.

    Cabeça explode! Fique horizontal.
    Até estômago não obedece mais!
    E tudo por uns olhos baladeiros?

    Reconhecer: casa da moda branca
    Parece triste pra caramba, viu? (Ai!...)
    Mas é casa de consertos
    Paciência, até pra impacientes
    Ânimo
    Prova
    Turismo (alguém aí não queria
    outros mundos conhecer?)
    Valeu, amigos, família
    Brigado, amor,
    Todo aquele grande ou pequeno por aí.
    Confio na galera de roupa branca
    E meu jeito aqui é rir sozinho e com vocês, hehehe

    (04/05/2010 - internado, tomando pulsoterapia no leito de hospital)

    [Desculpem por publicar um texto antigo... Eu já estava com uma ideia para o tema do mês, que ainda espero publicar depois; mas é que hoje me lembrei deste poema, que parece se encaixar tão bem com o tema da vez, então pareceu um desperdício não publicá-lo também...;) ]

  2. 8 comentários:

    1. florais38 disse...

      Por que vc está dodói? Precisa de algo? Visita? Abraço? Sangue? bjs Deolinda (GatoVerde)

    2. Obrigado pela preocupação, querida Déo... (há qto tempo, heim?) ;)

      Desculpe pela confusão causada, mas este poema foi escrito em 2010, qdo estive internado, como está escrito no fim do texto, hehe.

      E o poema em si, que tal? hehe. bjs!

    3. Vivi disse...

      Li e reli e confesso que não consegui compreender algumas referências. No entanto,digna de nota é a sua assinatura inconfundível. Somada à isso vem a leveza pueril dada à temática. Saber que criou essa poética bem humorada quando esteve doente, faz-me ver a plenitude e honestidade do texto. Percebi que o agradecimento é dado a uma sorte de cuidados externos, mas de forma interlinear senti que o valor dado ao conserto interno sobressaiu no texto. Gostei disso.

      Tentei, mas não consegui entender o que a expressão "olhos baladeiros" quer dizer...rs

    4. oi, vivi! há, que legal vc achar q aí tem minha "assinatura inconfundível"... como assim? poderia explicar? gostei de "ouvir" isso... ;)

      "olhos baladeiros" seria uma referência à minha visão na época, que estava extremamente debilitada. fiquei internado exatamente por uma doença nos nervos ópticos.

      turma da passarela branca, ou moda branca, acho q dá pra entender, né? hehe

      "cabeça explode", "fique horizontal", é referência ao fato de que eu precisava ficar deitado, caso contrário minha cabeça doía absurdamente. isso fazia parte dos sintomas do tratamento e pós-cirurgia...

      "turismo" refere-se ao meu gosto de viajar, mas tb que no hospital estava tendo profundas experiências mto diferentes, rs.

      "as notícias me aguardam no jornal" pq eu estava de licença médica, mas ainda preocupado pq eu trabalhava como repórter num grande jornal, mas não podia trabalhar nessas condições...

      com "náufragos pesados na lista" queria dizer que tinha gente em estado mto pior que o meu no hospital, então às vezes eu me sentia um reclamão de barriga cheia, rs.

      e "torneira vermelha no braço" quer dizer de fato isso, para ter acesso fácil para que os enfermeiros pudessem me passar remédios via intravenosa.

      estas explicações ajudaram? hehe. desculpe pelo texto tão cifrado... brincadeirinhas que eu gostava de fazer com minha própria realidade. :)

    5. Vivi disse...

      Nossa, espero que você tenha se recuperado bem.

      Então, sobre a assinatura inconfundível é isso: você tem uma marca, um estilo de escrita bem próprio e definido que torna imediato o reconhecimento de suas produções textuais. Essa é uma qualidade admirável a meu ver.

      Vi que a minha interpretação não destoou tanto do que você quis dizer. Mas calculei mal os olhos baladeiros. Só conseguia associá-los com as baladas, as festas. Mas, a associação não casava com o texto. Agora está tudo esclarecido. Thanks a lot!

    6. Debs disse...

      Concordo com a Vivi, acho que reconheço os seus textos sem precisar ler a assinatura (nem sempre, claro, mas geralmente).

      Confesso que achei no começo que "olhos baladeiros" tinha sido algum excesso alcóolico seu, e que estava internado tomando glicose... mas realmente não fazia sentido. Depois lembrei do q vc tinha dito sobre os seus olhos.

      Gostei da "vida resumida em um armário" e consegui sentir a impaciência do paciente que nada podia fazer além de aguardar e ver a doença passar.

      Mas talvez não fossem necessárias as rimas do começo, gostei mais da "liberdade" do final. =)

    7. Debs disse...

      (apesar de que, pensando melhor, as rimas no começo dão um ar zombeteiro, acho que reforça a sua assinatura) =)

    8. Medéia disse...

      O início é o Maurício sem dúvida...
      e também o meio e o fim.

      Achei algumas referências estranhas também, mas fico imaginando o que deve se passar na cabeça de um hospitalizado.
      Minha vó quando operou me bateu uma noite porque achou que eu era um macaco que ia pegar ela.... eh eh eh
      A paciência se achou aí na impaciência.
      Quando minha filha nasceu fiquei dois dias internada e a impaciência me roía por dentro.
      Muitas coisas para fazer e você ali pensando mil coisas.
      Belo texto, Maurício, não ri as gargalhadas como sempre, mas achei graça nos detalhes "Toda a turma da passarela branca!" "Reconhecer: casa da moda branca"
      Funny!
      Abs